Após saída de secretários de Paulo Guedes, dólar chega a R$ 5,70

Desmanche de parte da equipe de Guedes aconteceu depois de manobra para revisão do teto de gastos, principal âncora da política fiscal brasileira.

Da redação, Estadão Conteúdo ,
Agência Brasil
Antes mesmo do anúncio dessa nova ruptura na equipe de Guedes, a curva de juro já apontava na quinta-feira para a possibilidade de alta.

O dólar começou esta sexta-feira, 22, em alta, na contramão da queda predominante no exterior, após a saída de Bruno Funchal (secretário especial do Tesouro e Orçamento) e de Jeferson Bittencourt (secretário do Tesouro) da equipe econômica por discordarem do drible no teto de gastos para bancar o Auxílio Brasil de R$ 400, avalizado pelo ministro Paulo Guedes. Às 9h56, a moeda americana tinha alta de 0,66%, cotada a R$ 5,7045.

Os juros futuros também avançam, refletindo a percepção de que o Banco Central terá que ser mais agressivo com a política monetária - na semana que vem o Comitê de Política Monetária (Copom) se reúne para definir a nova taxa Selic, hoje em 6,25% ao ano.

Antes mesmo do anúncio dessa nova ruptura na equipe de Guedes, a curva de juro já apontava na quinta-feira, 21, para a possibilidade de alta de 1,50 ponto porcentual na taxa básica de juros, para 7,75% ao ano na semana que vem e de 1,25 ponto em dezembro. De 51 instituições ouvidas pelo Projeções Broadcast, 15 (29%) preveem um aumento de 1,25 ponto ou mais da Selic em outubro. A aposta em alta de 1 ponto dos juros em outubro, a 7,25%, ainda continuava majoritária, com 36 instituições.

Para Luís Felipe Laudisio dos Santos, da Renascença DTVM, o que o mercado mais temia, aconteceu e com uma velocidade muito mais intensa. "Paulo Guedes na corda bamba, mesmo com o presidente Bolsonaro reiterando apoio ao ministro, é mais um foco de tensão. O cenário externo mais positivo, não deve evitar mais um forte movimento no real", avalia Santos em relatório nesta manhã.

Debandada no ministério

O desmanche de parte da equipe de Guedes aconteceu depois de manobra para revisão do teto de gastos, principal âncora da política fiscal brasileira. Funchal já estava decidido a deixar o governo após reunião na segunda-feira com o presidente Jair Bolsonaro, quando ficou clara a ruptura da política fiscal com a finalidade eleitoral. 

A saída se concretizou depois do anúncio, feito por Bolsonaro, de um auxílio para os caminhoneiros e do atropelo das lideranças do Centrão no acordo final para mudar a emenda do teto de gastos. A mudança abriu espaço para R$ 83,6 bilhões em despesas que incluem o Auxílio Brasil de R$ 400, emendas parlamentares e outras medidas do programa eleitoral do presidente e do Centrão.

Na noite anterior, durante uma live, o ministro Paulo Guedes já havia falado em uma “licença para gastar” ou na própria revisão do teto.

O secretário do Tesouro, Jeferson Bittencourt, e mais dois secretários-adjuntos, Gildenora Dantas e Rafael Araújo, acompanharam Funchal nesse terceiro movimento de debandada desde que Guedes montou o que foi chamado, no início do governo, de “dream team” do seu superministério da Economia. “Foi uma questão de princípio”, disse Funchal à equipe. 

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