Ações da Petrobras caem após anúncio de novo reajuste do combustível e puxam queda da Bolsa

Papéis da companhia chegam a cair cerca de 10% após anúncio de reajuste nos combustíveis.

Da redação, Estadão,
Reuters/Paulo Whitaker
Feriado de Corpus Christi manteve o mercado brasileiro fechado enquanto as bolsas internacionais sofreram fortes perdas.

O Ibovespa voltou a operar pontualmente abaixo do importante suporte dos 100 mil pontos hoje (17), pela primeira vez desde novembro de 2020, primeiro ano da pandemia da covid-19. Na mínima, o índice chegou a marcar 99.674,72 pontos, com perda de 3,05%. Segundo operadores ouvidos pelo Estadão/Broadcast, o mercado brasileiro reflete um conjunto de fatores negativos, principalmente no cenário internacional. O primeiro deles é o feriado de Corpus Christi, que manteve o mercado brasileiro fechado enquanto as bolsas internacionais sofreram fortes perdas.

Hoje, segue o temor de recessão nas principais economias do mundo, em especial os Estados Unidos, e a falta de perspectiva para uma melhora no médio prazo incentiva a aversão ao risco.

Por aqui, o mercado monitora o cenário político. A Petrobras anunciou reajuste de combustíveis. Segundo a Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom), o reajuste do diesel segue abaixo da paridade dos preços de importação. Às 10h52, o Ibovespa tinha queda de 2,50%, aos 100.233,47 pontos. As ações ordinárias e preferenciais da Petrobras perdiam 4,34% e 3,61%, respectivamente.

Para Eduardo Velho, economista-chefe da J.F.Trust, o investidor local precifica o reajuste de combustíveis pela Petrobras anunciado para as distribuidoras, que deve pesar na inflação e minimizar o impacto nos preços na bomba do pacote de medidas do governo para conter os preços, como o teto de ICMS de combustíveis aprovado esta semana pelo Congresso e que aguarda a sanção presidencial. O risco fiscal segue no foco, afirma Velho, porque com o aumento da Petrobras, o governo pode aumentar a pressão política sobre a diretoria da petroleira e poderá acionar também outras medidas populistas de aumento de gastos em ano eleitoral. Os ruídos políticos entre Bolsonaro e o STF e a Justiça eleitoral contribuem também para a cautela dos investidores e a alta do dólar, avalia.

Já o dólar segue em alta firme no mercado à vista. Às 10h33, a moeda à vista subia 2,12%, a R$ 5,1321. O dólar para julho ganhava 1,44%, a R$ 5,1505. Velho afirma que o mercado local está em linha com a valorização do dólar no exterior porque o presidente do Fed, Jerome Powell, trouxe alívio na quarta-feira, mas ontem os mercados fizeram uma releitura dos sinais do dirigente porque o preço ao produtor dos EUA em maio mostrou que o repasse do atacado aos preços ainda será elevado.

O presidente do Fed reforçou hoje o foco em retornar a inflação nos EUA à meta de 2%, contribuindo para o fortalecimento da moeda americana, destaca. Powell disse na abertura da conferência sobre a dominância global do dólar, em Washington, que o "forte compromisso" do Fed com a estabilidade de preços contribui para a generalizada confiança no dólar como reserva de valor.

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