UFRN debate transposição do São Francisco

O debate foi realizado pela Caravana contra a transposição, mostrando motivos que condenam o projeto.

Gabriela Duarte,
Gabriela Duarte
A Caravana está visitando 11 capitais brasileiras.
Foi realizado na manhã desta sexta-feira (24), no auditório da Reitoria da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) um debate entre alunos da disciplina de Comunicação e Meio Ambiente, do curso de Jornalismo, representantes de movimentos sociais e a Caravana a favor do São Francisco e do Semi-árido – Contra a Transposição, que está visitando 11 capitais brasileiras.

Segundo a Caravana, a transposição, um projeto centenário, com origem ainda no Brasil Colônia, sempre acabou arquivada por suas “incoerências”. Os questionamentos afirmam que é impossível levar a água a uma população tão dispersa, que essa água, por precisar ser bombeada terá um elevado custo aos cofres públicos e que outras obras, com eficiência superior reduziriam os valores que serão gastos com a transposição em 50%. A Caravana defende que existem alternativas mais simples, eficientes e baratas que conseguem distribuir a água para a população dispersa do semi-árido.

Além de não resolver a falta de água, o projeto prejudicaria decisivamente, conforme a opinião da Caravana, o meio ambiente, com o desvio de um rio degradado, supressão da mata e a mudança no regime de suas cheias, a economia, considerando-se o alto custo da transposição, a política, na medida em que estados entrarão em conflito, e o lado social, já que uma população esperançosa pela promessa do fim da seca ficará frustrada.

“Não irá começar, começando, não irá continuar continuando, não irá terminar; terminando, não irá funcionar. E se funcionar, certamente não irá ajudar a resolver o problema social da seca”, afirmou o presidente do Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio das Velhas, Apolo Heringer Lisboa.

As próximas cidades visitadas pela Caravana será Mossoró, Fortaleza, Recife, João Pessoa, Salvador, Aracajú e Maceió.

Caravana

A Caravana a favor do São Francisco e do Semi-árido – Contra a Transposição é formada por especialistas e militantes das causas sócio-ambientais de diversos estados. O objetivo é mobilizar para impedir o início da obra e chamar atenção de todos para as incoerências do projeto, com base no argumento principal de que é impossível por meio da transposição levar água aqueles que mais sofrem com a seca: a população difusa. Enquanto isso, alternativas mais simples, baratas e eficientes poderiam contribuir, de fato, para a melhoria da qualidade de vida dessa população.

Memória

O Governo Federal anuncia que pretende assegurar água para 12 milhões de brasileiros que vivem no semi-árido setentrional brasileiro, levando as águas do São Francisco para os rios situados nos estados do Rio Grande do Norte, Ceará, Paraíba e Pernambuco. O Governo chama de Projeto de Integração da bacia do São Francisco às Bacias do Nordeste Setentrional (PISF), mas a proposta ficou conhecida pelo nome de projeto de transposição.

Serão 720 quilômetros de canais artificiais em concreto armado nos dois eixos principais do projeto, segundo o Relatório de Impacto Ambiental da obra. Mas, no total, serão mais de dois mil quilômetros de canais, incluindo o uso de leitos secos. A água será captada em Pernambuco, em dois pontos: um em Cabrobró, o Eixo Norte, e outro em Itaparica, o Eixo Leste. Essas águas precisarão ser continuamente bombeadas do São Francisco com elevado gasto energético.

O Governo afirma que serão gastos em torno de 4,5 bilhões de reais nas obras, mas já solicitou no orçamento do Programa de Aceleramento Econômico (PAC) 6,6 bilhões de reais. A Ministério da Integração Nacional, gestor do projeto, garante que as obras do Eixo Leste estarão prontas até 2010, independente dos movimentos contrários a ela.
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