Sem contar com Ibama, Aquário Natal tenta salvar animais em extinção

Os animais selvagens encontrados machucados em Natal não teriam outro destino, senão a morte, se não fosse o trabalho voluntário.

Karla Larissa,
Vlademir Alexandre
Mesmo sem receber ajuda, Aquário Natal cuida dos animais silvestres encontrados machucados.
Muitos animais selvagens encontrados machucados em Natal não teriam outro destino senão a morte, se não fosse o trabalho voluntário do Aquário Natal. Sem contar com apoio financeiro e com uma estrutura improvisada, os profissionais do Aquário, localizado na Redinha Nova, tem desempenhado um papel que deveria ser cumprido pelo Ibama. Como resultado, já foram salvas muitas vidas, inclusive de animais em extinção. Entretanto, o Aquário também tem arcado com o prejuízo.

Cinco tartarugas, uma gibóia, duas iguanas, um macaco e dois jacarés. Estes animais foram levados recentemente ao Aquário Natal pela polícia ambiental e pelo próprio Ibama, mas estão lá não para exposição, e sim para receber tratamento.

Segundo o biólogo do Aquário, Douglas Brandão, os animais são levados ao Aquário porque o Ibama conta apenas com um veterinário para atender a todo o Estado e, além disso, o Centro de Triagem de Animais Silvestres (CTAS) do órgão ambiental não conta com estrutura para animais aquáticos. “Nós temos um veterinário e recebemos os animais, mesmo sem ter muita estrutura para tentar salvar vidas”, conta Douglas.

De acordo com o biólogo, muitos animais precisam de cirurgias que o veterinário do Aquário não pode fazer, por não contar com equipamentos. Na semana passada, uma coruja morreu porque estava com duas patas machucadas  e não havia estrutura para fazer a cirurgia. 


Para tentar resolver pelo menos alguns casos, como o do jacaré de papo amarelo, com a pata fraturada, o Aquário está viabilizando uma parceria com a Universidade Federal do Semi-Árido (Ufersa), que já irá realizar na próxima semana a cirurgia necessária.

Mas, ainda falta muito. Tem a iguana com fratura nas costas, as tartarugas com pneumonia e o macaco cego dos dois olhos, devido a problema de catarata. Ele já está lá há cinco anos. “Quando ele chegou o problema não era tão grave, mas não tivemos como fazer cirurgia e foi se agravando”, explica Douglas.

O biólogo ainda relata, que além da falta de equipamentos para realizar cirurgias ortopédicas e mais complexas, a falta de espaço para alguns animais, como um golfinho e um filhote de baleia, que já estiveram por lá e que foi necessário improvisar um alojamento. “Seria ideal que o Ibama tivesse mais veterinários, não só em Natal, mas em outras regiões, e uma estrutura adequada”, opina Douglas.

Custos

O veterinário, o espaço para esses animais, a alimentação e os medicamentos. Tudo é custeado apenas com a bilheteria do próprio Aquário, que conta apenas com uma pequena ajuda do projeto Tamar, em medicamentos para tartarugas.

A administradora do espaço, Adelita Brandão, diz que o trabalho acaba sendo voluntário e que são poucas as ajudas. “Veterinário, remédios, alimentação. O custo é muito alto”, comenta.

Adelita conta que o Ibama envia os animais para o local, sem dar nenhuma ajuda, alegando que não tem recursos. “Só o projeto Tamar manda alguma ajuda”, diz. Ela acrescenta que no período de baixa estação, a situação se complica, já que a visitação diminui. “É um trabalho compensador moralmente e pessoalmente porque salvamos vidas, mas financeiramente não é”, finaliza.

Douglas pede para quem poder fazer doação de pelo menos alimentos, como frutas e peixes, pode entrar em contato com o Aquário Natal pelo telefone 3224-2177/2641.
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