RN pode ter surto de dengue hemorrágica nos próximos anos

“A tendência para os próximos anos é que a dengue hemorrágica esteja mais presente, uma vez que a população já tem resistência aos outros tipos de vírus”, alertou médico Luiz Alberto Marinho.

Gabriela Duarte,
Gabriela Duarte
Luiz Alberto Marinho alerta para um possível surto de dengue hemorrágica no RN.
Dores de cabeça e muscular, febre alta, vermelhidão no corpo, inchaço de gânglios e comprometimento das vias aéreas superiores. Esses são os principais sintomas provocados pela dengue clássica e costumam desaparecer entre cinco e sete dias, quando o ciclo do vírus da pessoa infectada termina, criando assim imunidade para o sorotipo que a infectou.

Já na dengue hemorrágica, além dos sintomas da dengue clássica, o paciente pode apresentar hemorragias gastrointestinal, na pele, gengiva e nariz, queda de pressão e tontura. O médico infectologista Luiz Alberto Marinho alerta que, para se ter certeza se a dengue é hemorrágica, é importante realizar um hemograma. “O paciente com dengue hemorrágica não apresenta obrigatoriamente hemorragia. É preciso um hemograma para constatar se há contagio de plaquetas, tem que ser realizado um diagnóstico clínico e laboratorial”.

Ele alerta que o fato de os casos de dengue terem diminuído no estado não tem a menor importância, porque a população já teve o contato com o vírus. “A perspectiva para o futuro é um aumento das causas hemorrágicas, a tendência para os próximos anos é que a dengue hemorrágica esteja mais presente”, disse.

A dengue é uma doença endêmica, infecciosa, causada por quatro diferentes tipos de vírus: 1, 2, 3 ou 4, classificados de acordo com o seu descobrimento.

Marinho alerta que, no Brasil, ainda não há registro do tipo 4, mas que isso está perto. “Há uma grande possibilidade da chegada do vírus 4, que já está presente nos países que fazem fronteira com o Brasil, como a Venezuela e Colômbia, e quando esse vírus chegar, teremos picos da dengue clássica e hemorrágica. O fato de o número de casos não estar explosivo não é tradução de segurança”, lembrou.

Ele também explica que a dengue hemorrágica é provocada quando alguém que já teve dengue é picado por um mosquito contaminado com um vírus diferente do que provocou a doença da primeira vez.

O médico lembrou que, em 2006, foram registrados 200 casos de dengue hemorrágica em todo o Estado. A Secretaria Estadual de Saúde divulgou que, só este ano, já foram registrados 22 óbitos no RN e sete na capital.

Caso
O jornalista Frederico Gurgel adoeceu pela segunda vez com a dengue hemorrágica. Ele explicou que a primeira vez foi há quatro anos. “Foi a primeira vez que tive dengue e só foi constatada que era hemorrágica após o exame de sorologia, em que minhas plaquetas estavam muito baixa. Além dos sintomas tradicionais da dengue clássica, apresentei sangramentos na gengiva e rompimento de vasos capilares. Já desta vez, está mais fraco, não apresentei hemorragias, porém minhas plaquetas estão muito baixas. O exame apresentou 40, quando o normal é de 150 a 400. É importante procurar o médico e fazer o exame de sangue, porque só ele detecta se é dengue ou não. A diferença da virose é que a dengue baixa as plaquetas e a virose não”, aconselha.
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