Problemas e estratégias administrativas se encontram na Saúde do RN

Hospitais têm menos leitos que o estipulado pela Organização Mundial de Saúde.

Isabela Santos,
Foto: Arquivo Nominuto
Carência de leitos hospitalares é um dos problemas da saúde no RN.
Os empenhos do trabalho de vigilância e assistência de saúde básica, por meio do trabalho desenvolvido pelas secretarias o Estado e municípios junto ao Programa de Saúde da Família se contrapõem à falta de recursos, profissionais e infraestrutura em muitos hospitais. Durante toda a semana a equipe de reportagem do portal Nominuto.com escreveu uma série de reportagens sobre o tema, verificando o que está acontecendo na saúde do Estado.

Um dos problemas constatados foi a carência de leitos hospitalares. Enquanto a Organização Mundial de Saúde recomenda três leitos para um grupo de mil pessoas, o Rio Grande do Norte apresenta uma média de um leito para 4,5 mil habitantes, somando apenas 674 na rede estadual.

Apesar disso, existe o esforço de organizar esses leitos, por exemplo, diminuindo o número de alojamentos em hospitais psiquiátricos e aumentando a quantidade de leitos psiquiátricos instalados em hospitais gerais.

Essa medida já é tomada desde 2001 em todo o Brasil, época em que foi sancionada a Lei Federal 10.216, também conhecida como Lei Paulo Delgado, que versa sobre da proteção dos direitos das pessoais com transtornos mentais. A meta da Sesap é diminuir 30% dos leitos nas instituições manicomiais até o final de 2011. Dentro desse prazo, 13 hospitais gerais terão condições de receber pacientes psiquiátricos.

De acordo com dados do Ministério da Saúde, em 2004 o estado possuía 819 instalações deste tipo; atualmente, o número gira em torno de 670. Com a confirmação das projeções da aecretaria, esse total cairia para 470 até dezembro do ano que vem.

Outra carência diz respeito ao número de funcionários. Atualmente, a Secretaria Estadual de Saúde Pública dispõe de 15 mil servidores, sendo apenas 1.661 médicos, atendendo em todos os 21 hospitais estaduais, que se destinam a 167 municípios.
Foto: Elpídio Júnior
Outra carência diz respeito ao número de funcionários.

A presidente do Conselho Regional de Enfermagem do Rio Grande do Norte, Alzirene Nunes de Carvalho disse em entrevista que é preciso investir ainda na qualidade dos serviços, qualificando desde os auxiliares de serviços gerais, passando pelos enfermeiros e médicos.

“O controle social precisaria ter uma atuação mais qualificada, pressionando os órgãos públicos, principalmente, no tocante aos recursos financeiros que dispomos, pois temos a avaliação que não são bem administrados”.

Nesse sentido, a Secretaria de Estado da Saúde Pública (Sesap) procura sempre realizar cursos para os profissionais dos mais diversos segmentos da saúde, quando se faz necessário. Seja em casos de surtos de doenças ou de qualquer falha identificada no sistema, as regionais recebem equipes especializadas para aulas de capacitação.

Foto: Elpídio Júnior
Cláudio Guzzo, diretor técnico do Hospital Walfredo Gurgel.
No que diz respeito à qualificação, o Hospital Walfredo Gurgel é referência em assistência a politrauma no Rio Grande do Norte, mas é conhecido seu problema de superlotação. A boa notícia é que o problema tem diminuído nos últimos dois anos. De acordo com o diretor técnico da unidade, Cláudio Guzzo, o número de atendimentos chegava a 1.200 em meados de 2008, contra cerca de 300, em 2010.

Para alcançar a redução dos índices de superlotação, o diretor técnico afirma que a intervenção da Promotoria de Saúde e do Conselho Regional de Medicina (Cremern) foi fundamental. Cada uma das entidades obtiveram determinações judiciaispara que os pacientes não ficassem no corredor ou sem a assistência devida. Agora, o hospital informa ao Ministério Público e ao Cremern, através de boletins, o número de internos e transferidos.

Como forma de intensificar essa ajuda, foi anunciada – em fevereiro, pela então governadora Wilma de Faria – a construção de um novo pronto-socorro. O lugar iria desafogar a demanda do Clóvis Sarinho, no Walfredo Gurgel. Entretanto, a unidade que teria 350 novos leitos não existe sequer no papel. O Governo não tem nenhum projeto que remeta ao centro de atendimento.

Já havia sido divulgado inclusive o local onde seria construída a unidade, na avenida Capitão Mor Gouveia, em Lagoa Nova, em 12.900 metros quadrados. Entretanto, segundo informou ao portal Nominuto.com o secretário-adjunto da Sesap, José Fernandes, não existe nenhuma área escolhida para construção do novo pronto-socorro.
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