Prefeito de Tangará afirma que faltou fiscalização em açudes irregulares

Jorge Bezerra explica que dois açudes particulares romperam porque foram construídos sem licenças ambientais. Processo está na Semarh.

Thyago Macedo,
Foto: Elpídio Júnior
Jorge Bezerra, prefeito de Tangará.
A situação preocupante no município de Tangará, devido à possibilidade de rompimento da parede do açude Guarita, poderia ter sido evitada. De acordo com o prefeito do município, Jorge Bezerra, dois açudes particulares foram construídos de forma irregular, por isso acabaram rompendo e transbordando para o reservatório municipal.

Jorge Bezerra conversou com o portal Nominuto.com e revelou que até mesmo um processo transcorre na Secretaria Estadual de Recursos Hídricos, mas nenhuma fiscalização foi feita na área.

Nominuto - Como está a situação nesta segunda-feira, após o início das obras de reparos no açude?
Jorge Bezerra –
Tudo está caminhando para que a gente fique mais tranquilo. Estamos com as máquinas do Dnit [Departamento Nacional de Infraestrutura e Trânsito], Dnocs [Departamento Nacional de Obras contra as Secas], DER [Departamento Estadual de Estradas e Rodagens], o pessoal do Corpo de Bombeiros e do Batalhão de Engenharia do Exército. Eles estão falando que até sexta-feira ou sábado esses reparos estejam concluídos. O sangrador, por exemplo, já foi todo rebaixado e alargado.

NM – Mesmo após os reparos, ainda há risco de rompimento?
JB -
Acredito que não. O açude Guarita foi bem construído. Esse problema só aconteceu porque outros dois açudes menores romperam. Esses reservatórios, aliás, são clandestinos, foram construídos sem licenças ambientais. Além de tudo isso, foram mal construídos.

NM - A Prefeitura nunca questionou a construção desses açudes particulares?
JB -
A Prefeitura não, mas em 2002 a própria população se reuniu para tentar impedir. Os moradores da região chegaram entrar com um processo na Secretaria Estadual de Recursos Hídricos, de número 167/2002, falando das irregularidades. No entanto, nunca foi feito uma fiscalização e eles acabaram ficando assim mesmo. O resultado foi que romperam e quase provocam uma tragédia.

NM – O que teria acontecido caso o Guarita não suportasse as águas desses dois outros açudes e também rompesse?
JB -
A cidade de Tangará não seria muito afetada, porque ela fica em uma área mais alta. Além disso, o rio passa por baixo. Mas se o Guarita fosse embora vários municípios da região seriam alagados. Aqui em Tangará, o prejuízo maior seria para cerca de 200 famílias que necessitam da pesca para sobreviver.

NM - Quais as providências que estão sendo tomadas caso aconteça o pior?
JB –
Bom, estamos contando com ajuda dos bombeiros e da Defesa Civil para evitar o pior. Além disso, esperamos que agora não teremos mais riscos. O Guarita é de 1947, mas foi muito bem construído. Para se ter uma ideia, as cheias de 1974 e 1981 foram muito maiores do que essa e ele nem mesmo ameaçou. No total, o açude tem capacidade para cinco milhões de metros cúbicos de água.
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