Pacientes do interior podem ficar sem atendimento em hospitais de Natal

Pagamento da Sesap aos serviços de ortopedia de três hospitais da capital está atrasado há cinco meses.

Thyago Macedo,
Gabriela Duarte
Hospital Memorial pode deixar de atender pacientes do interior.
Cerca de 300 pacientes do interior do Rio Grande do Norte, que mensalmente dependem dos serviços de ortopedia cirúrgica de três hospitais de Natal, podem ficar sem atendimento a partir da próxima quarta-feira (30).

Isso porque, de acordo com o presidente do Sindicato dos Médicos (Sinmed-RN), Geraldo Ferreira Filho, há cinco meses a Secretária Estadual de Saúde Pública (Sesap) está devendo o pagamento desses serviços aos hospitais Memorial, Médico Cirúrgico e ao Instituto de Traumatologia e Ortopedia do RN (Itorn).

“Na próxima quarta-feira (30), vence o prazo para que a Sesap renove o contrato com esses hospitais, caso contrário, eles deverão parar de atender aos pacientes que vêm do interior”, afirmou Geraldo Ferreira.

O presidente do Sinmed-RN explicou que o contrato de serviço de ortopedia cirúrgica é dividido, uma parte com o município e outra com o Estado. “Os pacientes de Natal são responsabilidade da Secretaria Municipal [de Saúde] e os que vêm do interior são responsabilidade da Sesap”, informou.

Por mês, as unidades de saúde citadas recebem entre 400 e 500 pacientes que dependem dos serviços de ortopedia. Desses, 60% vem do interior, o que representa cerca de 300 pessoas. O restante são pacientes de Natal.

De acordo com Geraldo, a SMS vem negociando com os três hospitais e deverá ter o contrato renovado, no entanto, os diretores daquelas unidades de saúde “não estão dispostos a recuar da decisão de parar o atendimento ao pacientes do interior, devido ao atraso da Sesap.”

Passa de 1 milhão de reais a dívida do Estado com os hospitais. No entanto, Geraldo Ferreira informou ao Nominuto.com que esteve reunido com o secretário estadual de Saúde, Adelmaro Cavalcanti, nesta sexta-feira (24).

“Eu levantei essa questão e ele me disse que já esteve na Procuradoria Geral do Estado para conseguir um parecer para renovar o contrato”, disse o presidente do Sinmed-RN. Geraldo afirmou ainda que a demora está acontecendo devido a esse atraso no parecer da procuradoria.

Mas, ele acredita “que o secretário está tentando”. A reportagem tentou entrar em contato com o secretário e com a assessoria da Sesap, mas os telefones deles não atendiam.
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