Grupo de estudantes acampa em frente a Governadoria

Movimento #levantedoelefante é inspirado no #foramicarla e surgiu em apoio aos estudantes que há 26 dias ocupam a 12ª Dired.

Alison Almeida e Rayane Guedes,
Foto: Alisson Almeida
Movimento é inspirado no #foramicarla, mas com uma pauta estadual.
Um grupo de aproximadamente 20 jovens acampou, no final da manhã desta segunda-feira (11), em frente ao prédio da Governadoria, no Centro Administrativo. Eles são integrantes do novo movimento nascido nas redes sociais, intitulado “levantedoelefante”, numa referência ao formato do mapa do Rio Grande do Norte, que lembra um elefante.

 

O movimento é inspirado no #foramicarla, mas com uma pauta estadual. “Os membros do #foramicarla estão presentes na Governadoria, mas o #levantedoelefante é a condensação de vários movimentos que surgiram a partir da repressão à luta pela educação em Mossoró”, declarou o graduando em Direito, Dayvson Moura.

 

O grupo chegou ao local após sair em caminhada do Midway Mall, no bairro do Tirol, na zona Leste de Natal. O movimento surgiu em apoio Comando de Mobilização Estudantil de Mossoró (COMEM), que ocupa, há 26 dias, a sede da 12ª Diretoria Regional de Educação, Cultura e Desportos (Dired).

 

O objetivo do acampamento é pressionar o governo a abrir o diálogo como os alunos da UERN que, por sua vez, reivindicam, entre outros pontos, o descontingenciamento da verba da instituição, reduzida em 55%.

 

Os manifestantes do #foramicarla que foram a Mossoró contaram que testemunharam a “truculência do governo, que se recusou a negociar com os estudantes”. Na semana passada, diante do fracasso das negociações, o governo chegou a convocar a Polícia Militar para fazer a desocupação do prédio, mas a governadora Rosalba Ciarlini (DEM) suspendeu a ação no último instante.

 

Desde então, os estudantes dizem que estão sendo vítimas de “terror psicológico”. A água e a luz elétrica do prédio teriam sido cortadas para força-los a sair, estratégia que, por enquanto, ainda não surtiu efeito.

 

Diante do que chamaram de “intransigência do governo”, os jovens natalenses resolveram agir e ocupar a Governadoria. Ao chegarem ao prédio, deram de frente com dois pelotões de policiais militares, sendo um deles do Batalhão de Choque, acionados para impedir a invasão do local.
Foto: Alisson Almeida
Diante do que chamaram de "intransigência do governo", os jovens natalenses resolveram agir e ocupar a Governadoria.

Halan Pinheiro, desenvolvedor de software, é integrante do #foramicarla e participou da ocupação na Câmara Municipal de Natal. Ele disse que, agora, o novo movimento é uma forma de “agregar os que estão indignados não só com a situação de Natal, mas também com o problema das greves no Estado”. “As pessoas que vivem em Natal e no Rio Grande do Norte passam pelos mesmos problemas”, destacou.

 

Além da solidariedade aos estudantes mossoroenses, no caldeirão do #levantedoelefante cabe ainda o apoio às reivindicações das diversas categorias de servidores públicos estaduais que estão em greve e à causa de movimentos sociais como o MLB (Movimento de Luta nos Bairros, Vilas e Favelas) e o MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra).

De acordo com o instrutor de idiomas George Alcaniz, a ocupação da Governadoria marca “o início de um novo calendário de lutas populares”. Essas lutas têm como meta a instituição do que o grupo chama de “poder popular pleno”.

 

“Esse poder popular pleno é com a participação ativa da sociedade através de ações práticas. Não nos interessa esse sistema atual de representação sem a participação popular plena através de conselhos comunitários, agrupamentos de pessoas e audiências públicas para ouvir o povo”, explicou Dayvson Moura.
Foto: Alisson Almeida
Grupo diz que o #levantedoelefante não representa fim do #foramicarla, mas sim sua "renovação".

Eles disseram que o #levantedoelefante não representa o fim do #foramicarla, mas sim sua “renovação”. “O #foramicarla tem prazo de validade, que é o próximo ano. Esse novo movimento é a condensação de todos os movimentos sociais que lutam por melhorias no Rio Grande do Norte”, completou.

*Atualizada às 18h34.
A+ A-