Doação de órgãos continua baixa no RN

Rim é o órgão mais procurado para transplantes no RN. Entidades de saúde reforçam a necessidade de alertas à população para a importância de doar.

A espera de um doador para transplante de rim no Rio Grande do Norte tem sido o procedimento mais procurado. 693 pacientes aguardam a sinalização da Central de Capacitação, Doação e Transplante de Órgãos do Hospital Walfredo Gurgel. Destes, apenas 86 estão em condições de receber o órgão. Comparado com o mesmo período do ano passado, os números têm se mostrado similares.

O secretário estadual da Saúde Pública, Adelmaro Cavalcante Cunha Júnior, alerta para a necessidade de uma maior sensibilização voltada para a importância da doação.

"Muitas pessoas não doam por pura falta de conhecimento. De como se dá todo o processo desde a captação até o ato do transplante. Ainda existe muito medo e preconceito", afirma. Ele ressalta ainda que "quando você doa, você perpetua uma vida e marca esse alguém, positivamente, para sempre".

As doações de córneas também estão em baixa. O procedimento ocupa a segunda colocação na espera por doador no estado. 397 pacientes precisam receber o tecido. Um levantamento da Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO), detectou que apenas seis a cada um milhão de brasileiros doaram órgãos em 2006.

No RN o quadro não é dos melhores. Das 82 mortes encefálicas notificadas no ano passado, apenas 10 famílias autorizaram a retirada dos órgãos e tecidos, o que corresponde a apenas 12,19% de aproveitamento. No Brasil, ainda que a pessoa se identifique como doadora, a captação do órgão só acontece se o hospital tiver o aval familiar.

A coordenadora da Central de Transplantes, Francinete Guerra, aponta a falta de empenho e atenção das Comissões Intra-Hospitalares de Doações de Órgãos e Tecidos (CIHDOTT´s) como outro dos motivos da queda do número de doações no RN.

As comissões têm como principal atividade a busca ativa e identificação de potenciais doadores, abordagem familiar, notificação compulsória e manutenção do doador para melhor preservação e qualidade dos órgãos a serem doados.

Francinete acrescenta que não é apenas a captação de órgãos junto ao doador cadáver que reverterá a estatística atual. "Precisamos levar em consideração a possibilidade do número de receptores ser diminuído pela doação inter-vivos", explica.

A maior dificuldade encontrada para estes casos, no entanto, é a condição de ambos os envolvidos - doador e receptorpossuírem histocompatibilidade, expressa em HLA (proteína que se localiza na superfície das células). Quando duas pessoas têm essas mesmas características protéicas, elas são imunologicamente compatíveis. São os casos dos transplantes de rins, por exemplo.
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