Diretor do Itorn: transferência para hospitais regionais não resolverá problema

Cipriano Correia admite que com mais de 10 dias sem a intervenção cirúrgica, pacientes já podem apresentar seqüelas graves.

Elaine Vládia,
A transferência de pacientes de trauma-ortopedia para hospitais regionais, anunciada no final da tarde desta terça-feira (11) pela Secretaria Estadual de Saúde Pública (Sesap) é criticada pela rede conveniada. Diretor do Itorn, Cipriano Correia, informa que a medida já foi adotada em situações passadas, sem êxito.

“Eu vejo como uma medida que não resolve nada. Da outra vez mandaram pacientes para Currais Novos e tiveram que retornar. Foi um desastre completo. Esses hospitais não têm estrutura”, declara. Além de ressaltar que essas unidades não têm condições de atender variados procedimentos como o Itorn, Memorial e Médico Cirúrgico, ele opina que esse é um paliativo que não resolve.

O presidente da Associação Médica e Sindicato dos Médicos, Geraldo Ferreira, também não acredita que a medida da Sesap seja uma boa saída. “Esses hospitais (regionais) já vivem sobrecarregados. Vão receber, porque é uma determinação. Mas acredito que terão dificuldades”.

O representante disse que vão conseguir desafogar a demanda em um dia, mas como é crescente não será suficiente. “Precisam encontrar a solução definitiva, porque eles têm
capacidade de resolução limitada”.

Perigo
Em crises passadas, quando a rede também suspendeu atendimento por falta de pagamentos, profissionais do Walfredo Gurgel chegaram a alertar para o perigo de seqüelas irreversíveis para os pacientes com a demora para a realização dos procedimentos cirúrgicos. A consolidação viciosa de ossos seria um dos exemplos. Ocasião em que o osso se acomoda de forma errada, tendo que ser posteriormente feita não só a cirurgia necessária, mas outra para tentar reverter o problema que surgiu com a demora no atendimento.

Questionado sobre essa possibilidade, Cipriano admitiu que é possível acontecer. Mas não pode afirmar que já esteja acontecendo de fato, porque depende de casa caso. “Realmente pode gerar deformidades permanentes no paciente, chegando até a ficar aleijado, como muitos dizem. Não sei quais são os casos, mas 10 dias já dá para trazer seqüelas graves”, confessa.

Pagamentos
Sobre o impasse entre a Secretaria Estadual de Saúde e a Secretaria Municipal de Saúde sobre a forma de pagamento – por contrato, convênio ou fundo a fundo – Cipriano Correia disse que “sinceramente não tenho a menor idéia de como isso vai terminar”.

Para o diretor do Itorn, isso já devia ter alternativas há um ano, já que os hospitais vêm recebendo atrasado há muito tempo. “Esse ano a gente só recebeu porque o juiz mandou a pagar”. A rede conveniada realiza cerca de 500 cirurgias por mês e o débito do Estado com ela ultrapassa os 600 mil reais. “Estamos aguardando que cheguem para dizer qual vai ser a solução”.







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