Casos de dengue continuam aumentando

Erros nas notificações são causados por diagnósticos mal feitos e pacientes que evitam procurar os hospitais para atendimento.

Gabriela Duarte,
A população não deve se descuidar, uma vez que 70% dos casos são encontrados dentro de casa.
A dengue, doença infecciosa e endêmica é causada por quatro diferentes tipos de vírus. No Brasil, não há registro do tipo quatro. Os maiores registros de casos ocorrem principalmente durante o verão e em períodos chuvosos, onde a única forma de evitar a disseminação do Aedes aegypti, o mosquito transmissor, é através do controle, uma vez que ele se prolifera em locais com acúmulo de água limpa e parada, como garrafas, pneus, vasos e alguns tipos de plantas. Os médicos alertam que quando a dengue é diagnosticada a tempo, as chances de sucesso do tratamento são maiores, o que evita os casos de óbito. 

Fotos: Gabriela Duarte
É importante os adultos ficarem atentos às crianças, que estão sendo acometidas mais facilmente pela febre hemorrágica.
Segundo dados da Secretaria Estadual de Saúde, entre os meses de janeiro e agosto de 2007 já foram notificados 213 casos de febre hemorrágica da dengue (FHD) no Rio Grande do Norte, com sete óbitos apenas na cidade do Natal e 22 no Estado, enquanto em 2006 haviam sido registrados 182 casos no RN, o que provocou 10 óbitos na capital, sendo 33 em todo o Estado.

A forma mais grave da doença, conhecida popularmente por dengue hemorrágica, atinge cada vez mais a população, principalmente porque muitos desses pacientes já tiveram um episódio anterior da doença, além da presença de três tipos do vírus circulando no Rio Grande do Norte e da doença estar atingindo as crianças, que apresentam a imunidade mais baixa do que os adultos. “Os casos de dengue hemorrágica tem aumentado devido ao aumento da sensibilidade da população, uma vez que a dengue está no RN desde 1994”, explicou Maria Suely Pereira, subcoordenadora de Vigilância Epidemiológica do Estado.

“A preocupação é que toda a população já está sensibilizada, e para haver um controle da  doença é importante a colaboração da população, uma vez que só a Saúde não dá conta, pois possuímos de 800 a 1000 casas para um único agente de saúde vistoriar, alertar ou coletar amostras”, disse Suely Pereira.

Secretaria Estadual de Saúde
Gráfico com casos notificados de dengue clássica por faixa etária no RN – 2006 e 2007
De acordo Maria Suely Pereira, subcoordenadora de Vigilância Epidemiológica do Estado, a maioria dos casos estão concentrados nas cidades de Natal, Parnamirim, Nova Cruz, Caicó, Ceará Mirim, Jaçanã, Macaíba, Monte Alegre, Santa Cruz e Parelhas, e a faixa etária que mais tem sido acometida é dos 20 aos 49 anos. Ela ainda lembra que é importante os adultos ficarem atentos às crianças, que estão sendo acometidas mais facilmente pela febre hemorrágica, “A virose ou gripe pode ser uma dengue”, explicou Suely Pereira.

A Secretaria Estadual de Saúde (Sesap) utiliza a quantidade de casos notificados como base para definir as estratégias de combate ao vírus, já que a investigação completa dos óbitos provocados por febre hemorrágica dura cerca de seis meses, fazendo com que o levantamento real da quantidade de ocorrências só possa ser divulgado muito lentamente. Suely explica que o profissional de saúde deve fazer a notificação da suspeita de dengue e encaminhar à Unidade de Saúde, Secretaria Municipal de Saúde, passando para as Regionais de Saúde, para, por último, chegar à Secretaria Estadual.

Quando se trata de casos registrados em Natal, a Unidade de Saúde diagnostica, encaminha para o Distrito Sanitário, depois para a Secretaria Municipal de Saúde e, por fim, chega à Secretaria Estadual de Saúde. Ela ainda explica que as subnotificações ocorrem uma vez que muitas pessoas não vão aos hospitais ou postos de saúde, medicam-se em casa.

A subcoordenadora ainda alerta: “a população deve ficar atenta para os sinais de sintomas de alarme, como dor abdominal, febre, vômito freqüente, fezes escuras, dores ao tentar se levantar (hipotensão postural). O que difere da febre hemorrágica é a ausência de febre”, explicou.

Já o coordenador do centro de controle de zoonoses de Natal, Wilian Bonfim, defende que deva haver uma nova forma de diagnosticar os casos, incluindo contratação de profissionais. “Tem que mudar a forma de diagnosticar, temos que apurar melhor, uma vez que há um discrepância entre município e Estado, existe uma falha no setor médico, pois mortes por causa da dengue é incompetência do setor. Dengue é uma doença super curável, agora perder casos por causa dela é incompetência do setor de assistência médica. Muitos pacientes chegam aos hospitais e os médicos dizem que é virose, não fazem o hemograma, aí voltam para casa e acabam morrendo, aí só depois se descobre que era dengue. A culpa é do diagnóstico e não de quem faz a prevenção, o bloqueio da proliferação dos casos. No Mato Grosso do Sul, por exemplo, existem vários casos de dengue, cerca de 70 mil, agora só morreram duas pessoas, o problema lá está na prevenção”.

O coordenador explica como é realizado o trabalho da Secretaria Municipal de Saúde, “quando o médico constata um caso de febre hemorrágica, ele tem que comunicar ao controle de zoonose, para mandarmos nossos agentes no endereço da pessoa, lá eles fazem um bloqueio de uma área de mil metros o raio, enviamos carros fumacê, a agente tem que bloquear a área onde este mosquito está, pois o mosquito infectado não pode sair transmitindo. Só este ano, o centro de zoonose já registrou várias chamadas”. 

 
A dengue diagnosticada a tempo é curável, médico que perde paciente por causa da dengue é médico incompetente.
William Bonfim também falou que a Prefeitura está combatendo o foco do mosquito, conforme são observados os casos. De acordo com ele, os bairros que concentram mais focos são Quintas, Felipe Camarão, Petrópolis e Alecrim. “Os bairros de onde mais recebemos notificações é de suspeita de caso de dengue são Quintas, Felipe Camarão, Petrópolis e Alecrim. Lá, os agentes têm feito diversos mutirões. Conseguimos eliminar os casos na Ribeira, pois conseguimos liminar na Justiça e vistoriamos casarão por casarão, inclusive os fechados, através dessa liminar. É importante lembrar que nesse trabalho de prevenção a população tem que participar, uma vez que o mosquito tem um desenvolvimento muito rápido e nós não temos agentes suficientes para fazer esse trabalho diário. São 900 imóveis para cada agente, então ele passa nesse imóvel de 2 em 2 meses, em Natal temos 350 agentes de saúde para uma população de 789 mil habitantes, segundo dados do IBGE relacionados à Saúde. Então, nesse tempo, o mosquito dá um banho na gente, por isso que precisamos da ajuda da população para controlar também, principalmente nos bairros com mais incidência de casos. Com isso, nós estamos longe de epidemia. O natalense pode comemorar que a proliferação do mosquito está controlada, o que não está controlada é a assistência”.

É importante diagnosticar a doença a tempo, “diagnosticada a tempo, é curável. Médico que perde paciente por causa da dengue é médico incompetente, porque dengue é uma doença, simples, curável, é só cuidar do paciente, não precisa de medicamentos caros, só é necessário um diagnóstico para poder prestar a assistência certa, tem que trabalhar todo mundo unido. A população não deve se descuidar, uma vez que 70% dos casos são encontrados dentro de casa, e informar ao Centro de Controle de Zoonose, mesmo que o médico desconfie que é virose, a pessoa pode informar que suspeita que é dengue e ligar para o agente ir fazer a vistoria no local. O disque dengue é: 3232 8238. As pessoas também podem ligar para o Centro de Zoonose: 3232 8237. No caso terrenos baldios e casas fechadas, ligar para a Covisa: 0800 281 4031. A dengue é uma luta’, alertou.

Sintomas

É importante ficar atento para alguns sintomas e procurar atendimento médico. Dores de cabeça e muscular, febre alta, vermelhidão no corpo, gânglios (ínguas) e comprometimento das vias aéreas superiores são os principais sintomas provocados pela dengue clássica. Eles costumam desaparecer entre cinco e sete dias, quando o ciclo do vírus no doente termina. A pessoa fica curada cria imunidade para o sorotipo que a infectou. Já no caso de dengue hemorrágica (FHD), além desses sintomas, o paciente apresenta hemorragias gastrointestinal, na pele, gengiva e nariz, queda de pressão e tontura.
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