Câncer de ovário: 20 perguntas sobre o tumor ginecológico de maior letalidade

No Brasil representa aproximadamente 4% do total de casos e ocupa a oitava posição entre as modalidades de tumores que mais atingem as mulheres.

Breno Alves,
Um pesadelo para as mulheres. O câncer de ovário ou “carcinoma de ovário”, como também é chamado. É o tumor ginecológico mais difícil de ser diagnosticado e com menor chance de cura, de acordo com especialistas. O motivo é a procura pelo médico tardiamente. Cerca de 3/4 dos tumores malignos de ovário apresentam-se em estágio avançado no momento do diagnóstico inicial. É o câncer ginecológico de maior letalidade, embora seja menos frequente que o câncer de colo do útero.

No Brasil representa aproximadamente 4% do total de casos e ocupa a oitava posição entre as modalidades de tumores que mais atingem as mulheres.

Nos Estados Unidos é a quinta causa de morte entre americanas que são diagnosticadas com o câncer. É o mais comum dos tumores ginecológicos.

Mulheres com primeira menstruação antes dos 10 anos e menopausa após os 52 anos também são mais propensas a desenvolver esse tipo de câncer.

Perguntas

01- Quais os principais sintomas?
Os sintomas são muito confundidos com simples dores abdominais, prisão de ventre, inchaço, náuseas, diarréia, aumento da urina, ganho ou perda de peso súbito e hemorragia vaginal anormal. O que faz com que a mulher procure o médico um pouco tarde. Geralmente ocorre em mulheres com mais de 40 anos podendo ocorrer também nas mais jovens e os principais sintomas são distensão ou inchaço abdominal, desconforto e dor pélvica ou abdominal, alterações urinárias e digestivas caso esse sintomas ocorram em média por três semanas, deve-se procurar o médico.


02- Como é feito o tratamento?
Ao ser comprovado que a mulher está com o câncer, ela será submetida a uma cirurgia onde será feita uma avaliação da cavidade abdominal, e a retirada do tumor, dos ovários, das trompas, o útero e o colo uterino, como também o tecido que cobre o estômago e os intestinos e os linfonodos ao redor. Isso num caso mais grave. Se for detectado mais cedo ou bem no inicio, especialmente em mulheres mais jovens, somente o ovário afetado é retirado.

03- Preciso fazer outro tipo de tratamento além da cirurgia?
Sim. Após a cirurgia ou em alguns casos até antes, é indicado a quimioterapia, radioterapia e/ou hormonioterapia (ambas, menos frequentemente usada) para complementar o tratamento.

04- Como prevenir?
Não existe uma forma 100% eficaz de prevenção. Mas alguns cuidados podem servir como prevenção: Amamentar, fazer a ligadura das trompas, ou ainda, a histerectomia, que é a retirada do útero sem que seja preciso retirar os ovários. Também é indicado o uso de um anticoncepcional oral e a redução na quantidade de gordura na dieta.

05- Faço o exame papanicolau uma vez por ano. Isso ajuda na prevenção?
Não. Esse exame não detecta o câncer de ovário. Ele é feito somente para detectar o câncer de colo do útero.

06- Qual a possibilidade de uma mulher que tenha o câncer de ovário sobreviver?
A taxa de sobrevivência é de 95% caso seja identificado em um estagio inicial. Mas não é o que ocorre geralmente. Somente 23% dos casos são detectados na fase inicial. Cinco anos após o diagnóstico, a taxa de sobrevivência das mulheres que apresentarem os tipos mais comuns de câncer de ovário varia de 15 a 85% e depende da agressividade do tumor.

07- O câncer de ovário é hereditário?
Sim. Se a mulher tiver parentes diretos que tiveram ou tenham a doença apresentará um risco mais elevado em também ter a doença. Mas só 10% são de origem genética.

08- Quais os fatores de risco?
Exposição á agentes tóxicos como cigarro, agrotóxico, uso regular de talco nos genitais. Mas 90% dos casos o câncer aparece de forma esporádica não tem um fator de risco direto. Ter tido câncer de útero, mama ou colorretal. Nunca ter tido filhos ou ter dificuldade para engravidar.

09- O cisto no ovário pode vim a virar um câncer?
Depende. Se ele tiver um tamanho maior que 10cm e possuir áreas sólidas e liquidas pode ser considerado uma situação de alto risco para “virar” um câncer. Se assim for detectado a cirurgia é a melhor indicação. Mas nem todo cisto deve ser motivo de pânico. Há casos em que uma situação não tem nada a ver com a outra. Por exemplo, quando o cisto é benigno.

11- Tive endometriose nos ovários. Tenho que fazer algum exame especial por causa disso?
Sim. A endometriose (doença que atinge as mulheres em idade reprodutiva e que consiste na presença de uma membrana mucosa em locais fora do útero) é um dos fatores de risco. É aconselhável a procura de um médico caso apareça um dos sintomas do câncer de ovário.

12- Qual a diferença do câncer de ovário em relação a outros cânceres?
O câncer de ovário se diferencia dos outros cânceres ou tumores
genitais feminino em geral, por conta da localização do ovário que acaba
dificultando a avaliação de sintomas levando o médico a fazer um
diagnóstico precoce.

13- É verdade que existem mais de um tipo de câncer de ovário?
Sim. Ele pode se apresentar em diversos tipos é por essa razão que ele
tem um diagnóstico difícil nas fases iniciais. É um tipo de câncer que não
possui nenhum exame de rastreamento ou de forma eficaz como o
papanicolau no caso do câncer de colo de útero ou a mamografia para
os de mama.

14- O que é o marcador tumoral?
São substâncias detectadas no exame de sangue e que aumentariam na
presença de tumores malignos. No caso do ovário estas seriam o
CA125, a Alfa-feto-proteina e o beta-HCG. Estes marcadores tem baixa
especificidade com grande número de falsos positivos. Os marcadores
são muito úteis no seguimento da paciente com câncer de ovário, porém
pouco confiáveis para o diagnóstico inicial. O CA 125, por exemplo, pode
estar elevado em doenças benignas como o mioma uterino ou a
endometriose.

15- É Possível se fazer um rastreamento do câncer de ovário?
Sim. Mas os seus resultados não são muito confiáveis. A falta de bons
métodos de rastreamento, causa um grande problema nas propostas de
rastreamento para o câncer de ovário o impacto causado pelos
resultados falso-positivos. O valor preditivo de um teste de rastreamento
é determinado pela especificidade do mesmo e pela prevalência da
doença na população estudada. No caso de doenças de baixa
prevalência como o câncer de ovário, exames com especificidade
extremamente elevada podem produzir valores preditivos positivos
inaceitáveis. Na verdade o maior obstáculo para um programa de
rastreamento do câncer de ovário é sua baixa prevalência.

16- Tenho câncer de ovário. Devo ser acompanhada por um oncologista?
Também. Por se tratar de um câncer de um difícil diagnostico e com
sintomas não muito específicos, não só os oncologistas, mas também os
ginecologistas, e os cirurgiões oncologistas são os mais indicados na
avaliação desse tipo de câncer.

17- Tenho ovário policístico. Tenho mais risco para desenvolver câncer de ovário?
Sim. O ovário policístico é uma doença hormonal e o câncer de ovário tem uma relação com a atividade hormonal feminina, é preciso fazer um tratamento para normalizar o ciclo menstrual e suprir a demanda de hormônios, por exemplo, com a pílula anticoncepcional o que também evita o risco de desenvolver o câncer de ovário.

18- Fiz tratamento para infertilidade. Isso pode aumentar o meu risco para ter câncer de ovário?
Não. De acordo com uma pesquisa feita por pesquisadores da University of
Pittsburg Graduate School of Public Health (GSPH) os medicamentos
usados para a fertilidade não expõem as mulheres a um risco de adquirirem
o câncer de ovário do que o normal. Entretanto, o estudo indica que
algumas mulheres que recebem tratamentos para fertilidade desenvolvem
câncer de ovário devido às condições básicas que causam infertilidade, não
devido aos tratamentos para a infertilidade em si.

19- Como a reposição hormonal influência no risco de câncer de ovário?
O uso do estrogênio sozinho (hormônio feminino) está associado a um aumento modesto do surgimento do câncer de ovário nas mulheres que já estão na menopausa e usam esse tipo de hormônio para reposição hormonal.

20- Quais são os progressos na prevenção do câncer de ovário?
Segundo um grupo de especialistas americanos o câncer de ovário obteve um grande progresso a partir de 2006 (quando foi realizado o estudo). O tratamento que já é para quando o câncer já está em estágio avançado, consiste na aplicação de altas doses de medicamentos por quimioterapia através do abdômen das pacientes. Esse é o primeiro grande avanço em uma década.

A+ A-