Aumenta o número de pessoas na espera por um transplante de órgão

Atualmente, 1.244 pessoas aguardam por um órgão ou tecido no Rio Grande do Norte.

Gabriela Duarte,
Gabriela Duarte
FrancineteGuerra: "Precisamos conscientizar a população sobre a doação de órgãos".
A fila de pacientes esperando por transplantes de algum órgão ou tecido no Rio Grande do Norte não para de crescer. Atualmente, 1.244 pessoas aguardam no Estado. São 780 pessoas na fila, esperando por um rim, 454 por uma córnea, seis por um coração e quatro por um fígado.
Segundo o Ministério da Saúde, o Brasil possui hoje um dos maiores programas públicos de transplantes de órgãos e tecidos do mundo. Com 548 estabelecimentos de saúde e 1.354 equipes médicas autorizados pelo SNT a realizar transplante. O Sistema Nacional de Transplantes está presente, através das Centrais Estaduais de Transplantes (CNCDO's), em 25 estados da federação, e em breve, todos os estados serão partes funcionantes do sistema.

A política nacional de transplantes de órgãos e tecidos está fundamentada na Legislação (Lei nº 9.434/97 e Lei nº 10.211/01), tendo como diretrizes a gratuidade da doação, a beneficência em relação aos receptores e não maleficência em relação aos doadores vivos. Estabelece também garantias e direitos aos pacientes que necessitam destes procedimentos e regula toda a rede assistencial através de autorizações e reautorizações de funcionamento de equipes e instituições.

No Rio Grande do Norte, os hospitais HUOL (Hospital Universitário Onofre Lopes), Hospital do Coração, Promater, Natal Center e Prontoclínica de Olhos estão credenciados pelo Ministério da Saúde para realizar transplantes nos pacientes em filas de espera. Confira as Centrais de Transplante em todo o Brasil

A coordenadora da Central de Transplantes do Hospital Walfredo Gurgel, Francinete Guerra explicou quais os hospitais que podem fazer a retirada e transplante de órgãos ou tecidos no Estado, “o Hospital Monsenhor Walfredo Gurgel, Hospital Santa Catarina e Promater. Os credenciados para retirada e realização de transplante são: Hospital Universitário Onofre Lopes (rim e córnea), Prontoclínica dos Olhos (córnea), Hospital do Coração (coração, válvula e rim), Natal Hospital Center (rim, coração, válvula e medula óssea)”, disse.

Francinete Guerra, explicou que o percentual de doadores ainda é baixo. “Em 2006, apenas 12% dos potenciais doadores no Estado, que tiveram morte encefálica, tiveram os órgãos doados. Foram 82 notificações de morte cerebral e apenas dez doações. Esse percentual se torna ainda mais baixo se for considerado o número real de casos de morte encefálica”.

Segundo Francinete Guerra o principal obstáculo para aumentar o número de doadores é a falta de informação por parte dos familiares, “o passo principal para você se tornar um doador é conversar com a sua família e deixar bem claro o seu desejo. Não é necessário deixar nada por escrito. A doação de órgãos é um ato pelo qual você manifesta a vontade de que, a partir do momento da constatação da morte encefálica, uma ou mais partes do seu corpo, em condições de serem aproveitadas para transplante, possam ajudar outras pessoas. Em alguns casos, a doação em vida também pode ser realizada, em caso de parentesco até 4º grau ou com autorização judicial”, explicou. 

Esta semana foi comemorada a Semana Nacional do Transplante. No Estado foi realizada uma campanha com panfletos, faixas, folders e camisetas com o objetivo de esclarecer e incentivar a doação, “é muito gratificante você saber que está salvando vidas, e esse trabalho é feito com o empenho de todos, mas principalmente da família”.

De acordo com Francinete Guerra, os órgãos mais procurados são os rins e, dentre os tecidos, as córneas lideram as buscas. No Brasil 34.077pessoas aguardam na fila por um rim e 26.793 por uma córnea. 69.053 pessoas aguardam nas filas brasileiras de transplante. Confira a lista de espera dos pacientes.

A coordenadora ainda divulgou que esse ano já foram realizados 96 transplantes no RN, sendo 80 de córnea e 16 de rim. Já em 2006, foram 160, sendo 120 de córnea, 36 de rim e 4 de coração. O Estado realiza transplantes desde o ano de 2001, entre os transplantes estão os de rins, fígado, córneas, coração, válvula cardíaca e medula óssea.
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