STF torna réus Valério, Gushiken, Cunha e mais 16 no processo do mensalão

19 dos 40 denunciados por envolvimento no esquema do mensalão são réus.

O Supremo Tribunal Federal transformou 19 dos 40 denunciados por envolvimento no esquema do mensalão em réus no processo, no terceiro dia de julgamento da denúncia da Procuradoria Geral da República.

Puxam a fila o publicitário Marcos Valério, que teve três denúncias de peculato aceitas pelo Supremo, uma de corrupção ativa e uma de lavagem de dinheiro; o deputado João Paulo Cunha (PT-SP), com uma denúncia por corrupção passiva, uma por peculato e outra por lavagem de dinheiro; e o ex-ministro de Comunicação e Gestão Estratégica da Presidência da República Luiz Gushiken, que vai responder, até agora, a processo por peculato.

Na última decisão da noite, os ministros aceitaram por unanimidade as denúncias contra o deputado federal Paulo Rocha (PT-PA), sua assessora parlamentar Anita Leocádia, contra o ex-deputado federal João Magno (PT-MG), contra o ex-deputado Professor Luizinho (PT-SP), contra o ex-ministro dos Transportes Anderson Adauto e contra seu assessor José Luiz Alves por lavagem de dinheiro.

Depois da decisão, a ministra Ellen Gracie encerrou a sessão e convocou os envolvidos para a próxima, na segunda-feira (27), às 14h. Ela também anunciou uma sessão-extra na terça-feira (28), a partir das 10h.

Excluído

Já o ex-ministro da Casa Civil José Dirceu, o ex-presidente do PT José Genoino, o ex-tesoureiro Delúbio Soares e o secretário-geral do partido Sílvio Pereira, foram excluídos da denúncia de peculato. Segundo o relator Joaquim Barbosa, o inquérito não atribuiu de forma satisfatória o papel específico de cada um deles no esquema do mensalão.

Ainda do grupo 'publicitário', os processos de Valério se repetiram a Cristiano Paz e Ramon Hollerbach, seus sócios nas agências publicitárias DNA e SMP&B. O Supremo também recebeu as denúncias de lavagem de dinheiro de Simone Vasconcelos (ex-diretora da SMPB) e Geiza Dias (ex-auxiliar da diretoria das empresas de Marcos Valério). 

Rogério Tolentino (advogado da Tolentino e Associados, que prestava serviços à SMP&B, de Valério), escapou de vários processos no decorrer da sessão, mas o Supremo acabou aceitando uma denúncia de lavagem de dinheiro contra ele quase no final do terceiro dia de julgamento.

Henrique Pizzolato (ex-diretor de marketing do Banco do Brasil) responderá a dois processos de peculato, um de corrupção passiva e um de lavagem de dinheiro por envolvimento no caso do valerioduto. Investigações do Ministério Público mostram que a diretoria de marketing do Banco do Brasil, sob a administração de Pizzolato, aprovou a liberação de cerca de R$ 73,851 milhões para a agência de publicidade de Valério.

Segundo o relator Joaquim Barbosa, a denúncia do procurador Antonio Fernando Souza aponta que o dinheiro foi utilizado para propinas e pagamento de dívidas de campanhas eleitorais.

Os ex-diretores do Banco Rural Kátia Rabelo, José Roberto Salgado, Ayanna Tenório e Vinícius Samarane serão processados pelo crime de gestão fraudulenta de instituição financeira e lavagem de dinheiro.

A suprema corte julga a denúncia do procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza, contra os envolvidos no escândalo do mensalão, que foi denunciado em 2005 pelo então deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ). 

Fonte: UOL
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