PMs são afastados após policial pisar em pescoço de mulher durante ação em SP

Governador João Doria classificou a abordagem como "inaceitável" após a exibição das imagens na TV.

Da redação, Agência Brasil,
Reprodução
Imagens mostram policial militar pisando no pescoço da mulher, que já estava no chão, imobilizada.

Policiais militares filmados agredindo uma mulher em Parelheiros, no extremo sul da capital, foram afastados e o governador João Doria (PSDB) classificou a abordagem como "inaceitável" após a exibição das imagens no Fantástico, da Rede Globo, na noite deste domingo (12). Na ação, um dos policiais chega a pisar no pescoço da comerciante e a arrastá-la.

Segundo o boletim de ocorrência do caso, a abordagem policial realizada após uma reclamação de que um bar estaria funcionando durante a quarentena. O caso ocorreu no dia 30 de maio, quando o funcionamento desse tipo de estabelecimento ainda não era permitido. No BO, consta a informação de que havia quatro clientes no local e um deles tentou fugir, iniciando uma confusão.

"Tinha um carro na frente do bar com som alto. Ela já tinha pedido para ele abaixar o som, não sei se deu tempo de ele obedecer. Ela viu uma abordagem bastante truculenta e um dos rapazes que estava sendo agredido é conhecido dela, ele frequentava o local. Ela pediu para que o policial parasse, porque o rapaz estava quase desmaiado, mas começaram a agredi-la também", diz Felipe Pires Morandini, advogado da comerciante.

Em entrevista ao programa de televisão, a mulher, de 51 anos, conta que foi empurrada na grade do bar, levou três socos e teve a tíbia quebrada ao levar uma rasteira.

Em uma das cenas, a mulher aparece deitada no chão com o policial pisando em seu pescoço. Depois, ela é algemada e arrastada para uma calçada. Já na calçada, a comerciante é novamente imobilizada pelo pescoço. Desta vez, o policial usa o joelho.

Ao Fantástico, o policial informou que um colega foi agredido pela mulher com uma barra de ferro e, por isso, a comerciante foi contida. Ele afirmou ainda que a ação "foi um meio necessário". no boletim de ocorrência, os policiais informaram que a comerciante apareceu novamente para atacá-los usando um rodo. A mulher nega.

"O policial pisou no pescoço dela, ela foi arrastada pelo asfalto e chegou a desmaiar quatro vezes. Ela não foi para a delegacia no mesmo dia que os outros, porque precisou ir para o hospital e receber atendimento de emergência. O primeiro esforço é defendê-la das acusações de que ela saiu descontrolada com uma barra de ferro. Os policiais falaram, mas o vídeo desmente. Infelizmente, é mais uma ação truculenta em um bairro periférico", afirma o advogado.

Morandini disse que ela ainda se recupera das agressões. "Ela está bastante traumatizada, por todos os traumas psíquicos que sofreu, pela recuperação médica e fisioterapia para recuperar a tíbia, que foi fraturada e precisou passar por cirurgia."

Nas redes sociais, o governador João Doria disse que as cenas "causam repulsa". "Inaceitável a conduta de violência desnecessária de alguns policiais. Não honram a qualidade da PM de SP". 

Em nota, a Secretaria da Segurança Pública de São Paulo (SSP) informou que um inquérito policial militar (IPM) foi instaurado em 30 de maio e que os policiais já foram afastados. Eles vão ficar fora das atividades operacionais até o fim das investigações.

"A mulher mencionada pela reportagem, após liberação médica, foi apresentada à autoridade policial, no dia 31. Informada sobre seus direitos, ela decidiu permanecer em silêncio e se pronunciar apenas em juízo, assim como os outros dois homens detidos no dia anterior. Todos permaneceram à disposição da Justiça. O caso também é investigado por meio de inquérito pelo 25° DP, responsável pela área dos fatos."

A secretaria disse ainda que "não compactua com desvios de conduta de seus agentes e apura rigorosamente todas as denúncias". Informou também que, desde o dia 1º, policiais militares de todos os níveis hierárquicos estão participando de um treinamento para "reforçar os conhecimentos e técnicas da instituição.

A medida foi anunciada por Doria no mês passado, em meio ao recorde de letalidade e denúncias de violência policial.

George Floyd

O tipo de imobilização usada no caso de Parelheiros tem sido alvo de críticas principalmente após a morte do americano George Floyd, em Minnesota, nos Estados Unidos, em maio.

Ele foi asfixiado por um policial que prendeu seu pescoço com o joelho por quase nove minutos. A ocorrência desencadeou protestos em várias partes do mundo.

Tags: afastamento agressões policiais militares São Paulo
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