Parentes de vítimas de acidente aéreo esperam que conclusões da CPI agilizem punição de responsáveis

O Airbus A320, que vinha de Porto Alegre, saiu da pista do Aeroporto de Congonhas, em São Paulo, e explodiu após bater em um prédio da própria empresa, deixando 199 mortos.

Agência Brasil,
Brasília - Os familiares das vítimas do acidente com o vôo 3054 da TAM, que nesta segunda-feira (17) completa dois meses, têm expectativa de que as conclusões da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Apagão Aéreo da Câmara dos Deputados agilizem a punição dos responsáveis pelo maior desastre aéreo ocorrido no país.

O Airbus A320, que vinha de Porto Alegre, saiu da pista do Aeroporto de Congonhas, em São Paulo, e explodiu após bater em um prédio da própria empresa, deixando 199 mortos.

“Eu não tenho dúvida de que tem que ajudar, porque, se nós estamos num país que se presume ser sério, uma CPI tem que ter resultados. A gente não pode imaginar que todas as CPIs terminem em pizza - isso é algo que foge da nossa imaginação, porque houve uma convulsão emocional de toda a população brasileira, que assistiu ao vivo a cremação de tantas vidas, e isso não pode passar impune”, cobrou o advogado Luiz Salcedo, que perdeu um filho no acidente.

O advogado, que é de Porto Alegre, integra o grupo de cerca de 20 parentes de vítimas do acidente com o avião da TAM que veio a Brasília para participar nesta tarde de uma audiência pública na CPI do Apagão Aéreo. Nesta terça-feira (18), o deputado Marco Maia (PT-RS) deve começar a apresentar seu relatório. A votação está prevista para quinta-feira (20).

Para Salcedo, o acidente com o Airbus deve ser um “divisor de águas” no sistema de aviação civil brasileiro. “Ninguém abre mão de que essa catástrofe aérea não seja um marco para que nunca mais nada semelhante aconteça pelas razões que levaram a esse acidente, ou seja negligência, falta de atenção necessária para tamanho de pista, condições de tempo, peso da aeronave, fiscalização da Anac [Agência Nacional de Aviação Civil]”.

Segundo o advogado, entre as principais reclamações dos parentes das vítimas estão a falta de transparência e a demora para apontar as causas do acidente. Segundo ele, atualmente as informações só chegam aos familiares pela imprensa, porque não há um canal de comunicação entre as autoridades do setor aéreo e os parentes das vítimas.

Ontem (16), os parentes das vítimas do acidente criaram uma associação, na expectativa de que, a partir de agora, consigam ter acesso às informações oficiais sobre as investigações. “Nós passaremos a ter uma personalidade jurídica, vamos ser uma instituição com maior poder de representação”, explicou Salcedo.

Segundo ele, a associação deve ser registrada em cartório nesta semana, e a eleição da diretoria e da presidência da entidade está marcada para quinta e sexta-feira próximas.
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