Indígenas protestam contra Bolsonaro e em defesa de Bruno Pereira e Dom Phillips

Manifestação continha cartazes contra o governo Bolsonaro e questionando o desaparecimento do indigenista e do jornalista do The Guardian.

Da redação,
Evaristo Sá/AFP
PF suspeita que o desaparecimento de Bruno Pereira e Dom Phillips esteja relacionado à atuação de pescadores ilegais na região.

Indígenas de Atalaia do Norte, cidade onde o indigenista Bruno Pereira e o jornalista inglês Dom Phillips desapareceram, realizaram hoje (13), um protesto contra o governo Bolsonaro e as invasões à terra indígena, e em defesa do tabalho do indigenista da Funai e do jornalista desaparecidos. 

Cerca de 200 indígenas iniciaram as manifestações pelas ruas de Atalaia do Norte, até o palco numa praça da cidade. O protesto foi organizado pela Univaja (União dos Povos Indígenas do Vale do Javari), que representa sete etnias.

As faixas carregadas durante a manifestação continham frases de oposição ao governo federal, com críticas sobre a falta de fiscalização de invasores e sobre o paradeiro de Bruno Pereira e Dom Phillips. "Bruno lutou pelo Vale do Javari. Agora o Vale do Javari luta por Bruno, Dom e Maxciel", dizia uma das principais faixas da manifestação. 

Maxciel dos Santos, nome também escrito em um dos cartazes, trabalhava na Funai e foi morto na região em 2019. A suspeita é de que a execução teve relação com a atuação do funcionário contra invasões à terra indígena.

Em relação a investigação da Polícia Federal, suspeita-se de que o desaparecimento de Bruno Pereira e Dom Phillips esteja relacionado à atuação de pescadores ilegais na região. O único suspeito preso, Amarildo Oliveira, o Pelado, é um morador da comunidade São Gabriel. O local onde foram encontrados os pertences do indigenista e do jornalista fica próximo à comunidade, onde vivem pescadores e pequenos agricultores.

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