Escolha de Almeida Lima para relatar processos contra Renan gera reações no Senado

Almeida Lima foi um dos relatores da primeira representação contra Renan e pediu o arquivamento do processo.

Agência Brasil,
Roosewelt Pinheiro/ABr
O senador Almeida Lima, no Conselho de Ética do Senado
A escolha do senador Almeida Lima (PMDB-SE) para relatar outras duas representações contra Renan Calheiros (PMDB-AL) no Conselho de Ética gerou reações. A oposição teme que, por ser do mesmo partido de Renan, a unificação das duas representações e a escolha de Almeida para relatar o caso enfraqueçam as investigações.

Almeida Lima foi um dos relatores da primeira representação contra Renan, que investigou se ele teve contas pessoais pagas por um lobista de uma empreiteira. O senador pediu o arquivamento do processo.

“Quero fazer um debate com o presidente do Conselho e saber com base em qual instrumento jurídico e técnico ele tomou essa decisão [de unificar as representações]”, disse o senador Renato Casagrande (PSB-ES), outro dos relatores da primeira representação contra Renan. Ele afirmou que o presidente do Conselho, Leomar Quintanilha (PMDB-TO), deveria ter escolhido um outro relator para garantir a isenção do processo. “Se eu fosse escolhido, não aceitaria. Assim como ele não deveria ter aceitado. A escolha dele tira a isenção do processo e aprofunda a crise no Senado”, acrescentou.

Para o líder do PSDB, Arthur Virgílio (AM), a escolha de Almeida Lima foi um erro de Quintanilha. “Ele escolher, de novo, como relator, uma pessoa de posição tão conhecida, extrapola a razoabilidade, a sobriedade [do processo].”

O corregedor da Casa, Romeu Tuma (DEM-SP), considerou que a unificação dos dois processos – o que investiga se Renan usou laranjas para comprar veículos de comunicação em Alagoas e o que apura se ele participou de suposto esquema de corrupção em ministérios comandados pelo PMDB – é “misturar dois fatos completamente diferenciados”. “Não há hipótese nenhuma em unificar porque você enfraquece a própria investigação”, disse.

Já Renan Calheiros se mostrou tranqüilo e disse que não compete a ele comentar a escolha do novo relator. “Da outra vez, escolheram o Casagrande, a Marisa Serrano, e eu também não disse nada. É o presidente que escolhe, é a competência dele”, disse.

Segundo o presidente, como uma das representações foi assinada pelo Democratas e pelo PSDB, “o inusual seria colocar uma dessas pessoas [desses partidos] como relator, já que eles assinaram a própria petição”.

Ele ainda afirmou que, com os 40 votos pelo arquivamento e as seis abstenções que seu primeiro processo teve na votação em plenário, não se pode garantir “quem é o principal aliado ou quem é a pessoa que é a vanguarda da oposição”.
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