Empresário não confirma venda de jornal para Renan Calheiros

Depoimento do ex-proprietário de O Jornal Nazário Pimentel foi considerado "útil e esclarecedor".

Agência Brasil,
Brasília - O senador Jefferson Péres (PDT-AM), relator do terceiro pedido de cassação do mandato do presidente licenciado do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), disse nesta terça-feira (13) que o depoimento do ex-proprietário de O Jornal Nazário Pimentel "foi útil e esclarecedor" e vai ajudá-lo na conclusão do seu relatório, que será apresentado na quarta-feira (14) no Conselho de Ética e Decoro Parlamentar.

Segundo Jefferson Péres, em seu depoimento Nazário Pimental disse que Renan Calheiros não comprou O Jornal, não foi sócio na compra com o ex-deputado e usineiro João Lyra, mas participou dessa venda como intermediário.

Péres recusou-se a adiantar se vai pedir ou não a cassação de Renan Calheiros por suposta quebra de decoro parlamentar nesse terceiro processo, em que ele é acusado de ter usado laranjas para a compra do jornal e duas rádios, em associação com João Lyra.

Péres disse que o depoimento de Nazário não mudou o teor das conclusões do seu relatório, mas "reforçou a convicção dos indícios sobre Renan Calheiros”. O senador disse, no entanto, que “resta saber se esses indícios são fortes ou fracos, só isso. Indícios houve, resta saber da gravidade desses indícios".

O governador de Alagoas, Teotônio Vilela Filho (PSDB), também depôs nesta terça-feira no Conselho de Ética. Ele disse que essa denúncia contra Renan Calheiros foi produzida "pelo ódio pessoal e político” que João Lyra tem contra Renan.

“O que existe hoje está no nível da fofoca. O João Lyra odeia o Renan. É um homem de imagem inidônea pela sua história de vida, um homem sem escrúpulos. Eu sou alagoano e me sinto no direito de vir aqui jogar flores na Geni", disse o governador em defesa de Renan Calheiros.

Indicado pelo próprio Renan como sua testemunha de defesa, o governador desqualificou as acusações de João Lyra, afirmando que o usineiro fez acusações sem apresentar provas e questionou por que Lyra não fez essas mesmas acusações há mais tempo, ou mesmo durante a campanha eleitoral, mas somente agora, aproveitando-se de um momento crítico porque passa o presidente licenciado do Senado.

Teotônio Vilela Filho disse que não existe questão partidária envolvendo o seu depoimento - tomado de maneira sigilosa pelo relator Jefferson Péres e pelo presidente do Conselho de Ética, senador Leomar Quintanilha (PMDB-TO).

Segundo o governador, trata-se de fazer justiça a Renan Calheiros "por tudo o que ele fez até hoje em benefício do estado e de todos os seus municípios".
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