Ato contra Bolsonaro na Paulista termina em confronto com PM

Polícia usa bombas de gás para dispersar manifestação na avenida, que concentrou atos contra e pró-Bolsonaro.

Da redação, Estadão Conteúdo,
Taba Benedicto/Estadão
Uma grande confusão, que durou ao menos uma hora, tomou conta da Avenida Paulista, em São Paulo, deixou um rastro de destruição.

Um ato contra o governo de Jair Bolsonaro e autointitulado pró-democracia e antifascista organizado por grupos ligados a torcidas de futebol na Avenida Paulista terminou em confronto neste domingo (31) entre manifestantes e apoiadores do presidente e também com a Polícia Militar, que interveio e usou bombas de gás lacrimogêneo para dispersar o início de uma briga em frente ao Museu de Arte de São Paulo (Masp). Uma grande confusão, que durou ao menos uma hora, tomou conta da avenida, deixou um rastro de destruição. Ao menos cinco manifestantes foram detidos, apurou o Estadão.

No início da tarde, os participantes do ato convocado pelos coletivos se reuniram em frente ao Masp. Os manifestantes gritavam “democracia”, vestiam preto e usavam máscaras em razão da pandemia do novo coronavírus. O encontro teve início por volta do meio-dia.

Integrantes da manifestação levavam faixas com dizeres como “somos democracia”. Parte dos participantes era da torcida organizada Gaviões da Fiel, do Corinthians. Eles cantam músicas da torcida e paródias como “doutor, eu não me engano, o Bolsonaro é miliciano”. Neste mesmo ato, também havia torcedores do Palmeiras, do São Paulo e do Santos.

A poucos metros dali, em frente à sede da Federação da Indústrias de São Paulo (Fiesp), havia um grupo de manifestantes pró-Jair Bolsonaro, que realizava um ato no local. A maioria vestia verde e amarelo. A Polícia havia separado os grupos. A briga em frente ao Masp envolvendo os manifestantes pró-democracia e a PM começou por volta das 14h20.

O governador de São Paulo, João Doria, defendeu a ação da Polícia Militar no ato deste domingo. "A Policia Militar de São Paulo agiu hoje para manter a integridade física dos manifestantes, na Avenida Paulista. Dos dois lados. A presença da PM evitou o confronto e as prováveis vítimas deste embate. Todos têm direito de se manifestar, mas ninguém tem direito de agredir", escreveu em sua conta oficial no Twitter. 

Doria disse ainda que as manifestações devem ser respeitadas, mas posições contrárias não podem ser expressadas com violência nas ruas. "O Brasil precisa de paz, diálogo e respeito às instituições, para preservar sua democracia", afirmou. "Deveríamos estar todos unidos para superar a mais grave crise de saúde da nossa história."

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De acordo com o organizador do movimento Somos Democracia, o corintiano Danilo Pássaro, de 27 anos, a manifestação no Masp transcorria de forma pacífica e, segundo ele, já se encaminhava para o final, quando, por volta das 14 horas, “três ou quatro pessoas” com camisetas com inscrições neonazistas se infiltraram no grupo. Segundo Danilo, além deles, chegaram também três outras pessoas com farda militar, o que teria iniciado o tumulto. “Até então, estava tudo calmo. Nossas faixas eram pela democracia, e eu já havia feito um discurso.”

A PM passou a usar bombas de gás lacrimogêneo para dispensar os manifestantes. A partir daí a confusão aumentou e se estendeu por boa parte da avenida Paulista, em direção ao metrô Consolação. Um grupo passou a jogar pedras e outros objetos contra os policiais. Outros fizeram barricadas com uma caçamba de lixo. O disparo de bombas durou ao menos 40 minutos.

De acordo com a PM, parte dos envolvidos no confronto foi encaminhada à delegacia dos Jardins. Eles portavam canivetes e artefatos químicos.

A assessoria de imprensa da Gaviões da Fiel informou que não organizou a manifestação, mas que o ato é “legítimo” por defender a democracia.

No Rio de Janeiro, um grupo de torcedores da Democracia Rubro-Negra também fez ato contra Bolsonaro, na orla da Praia de Copacabana. Em meio à divisão entre as duas manifestações, um policial militar afirmou ao deputado federal Daniel Silveira (PSL-RJ) que tinha mandado queimar uma bandeira do grupo contrário ao presidente.

Em Belo Horizonte, um grupo de pessoas também organizou um protesto contra o presidente Jair Bolsonaro. A manifestação traz cartazes de torcidas organizadas de clubes de futebol, como Resistência Alvinegra e Galo Antifa. 

Nas redes sociais, o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) defendeu que o Brasil classifique grupos antifascistas como organizações terroristas. A declaração foi dada em resposta a um tuíte em que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, apoia a designação.  O presidente Jair Bolsonaro também compartilhou a mensagem de Trump. 

"O Brasil deveria fazer o mesmo. Aqui eles se fantasiam de torcida organizada, mas todos sabemos que querem é desordem, baderna e confronto com manifestações pacíficas", escreveu Eduardo em sua conta oficial no Twitter.


Confira o vídeo:


DD.

Tags: ato Jair Bolsonaro SP
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