Alckmin manifesta preocupação com declaração de Lula sobre reforma trabalhista

Ex-governador afirma que sinais de ‘revogaço’ caso petista volte ao Planalto deixou mercado apreensivo; Solidariedade oficializa convite de filiação.

Da redação, Estadão Conteúdo ,
Reprodução/Redes sociais
Cotado para ser o vice na chapa de Lula, Alckmin conversou nesta segunda-feira, com o presidente do Solidariedade, o Paulinho da Força.

O ex-governador de São Paulo Geraldo Alckmin não escondeu a apreensão ao saber que a cúpula do PT pretende rever a reforma trabalhista aprovada no governo Michel Temer, caso o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva seja eleito para o Palácio do Planalto. Cotado para ser o vice na chapa de Lula, Alckmin conversou nesta segunda-feira, 10, com o presidente do Solidariedade, Paulo Pereira da Silva, o Paulinho da Força, e foi convidado oficialmente para ingressar no partido, mas ainda não definiu seu destino político.

Em café com o deputado numa padaria da Zona Sul, o ex-governador disse que o mercado ficou preocupado com sinais emitidos por petistas de que haverá um “revogaço” caso Lula assuma a Presidência. Alckmin também quis saber a opinião das centrais sindicais sobre o assunto.

Na conversa com Alckmin, Paulinho da Força afirmou que as centrais não planejam desfazer a reforma trabalhista inteira. Avaliam, no entanto, que, desde as mudanças aprovadas no governo Temer, em 2017, o Brasil vive uma escalada de desemprego. “Nosso maior desafio é tirar o País dessa situação e pensar em mais emprego e renda para o brasileiro”, disse o ex-governador.

Lula fará nesta terça-feira, 11, uma reunião com representantes do governo da Espanha, a fim de debater a reforma trabalhista daquele país. Presidentes de centrais sindicais do Brasil e da Espanha também foram convidados para o encontro, que será na sede da Fundação Perseu Abramo. Integrantes do governo espanhol terão participação virtual.

Paulinho da Força assegurou a Alckmin que as centrais querem uma negociação tripartite entre governo, trabalhadores e empresários. Uma das ideias é mudar o artigo 611 B para que predomine o que for aprovado em assembleia, notadamente em relação à cobrança da contribuição sindical por categoria. No diagnóstico das centrais, a reforma trabalhista asfixiou financeiramente as entidades.

O Estadão apurou que o ex-governador gostou da conversa. Sem legenda desde 15 de dezembro, quando deixou o PSDB, Alckmin está entusiasmado com a proposta para ser vice de Lula e não pretende mais concorrer ao governo paulista.

O presidente do Solidariedade e aliados do ex-tucano confirmaram que Alckmin disse não acreditar numa terceira via na eleição de outubro. Na sua avaliação, a disputa será polarizada entre Lula, hoje líder nas pesquisas de intenção de voto, e o presidente Jair Bolsonaro. “Eu também não acredito nessa terceira via”, afirmou Paulinho ao Estadão. “Acho que, se houver a chapa Lula-Alckmin, a vitória será no primeiro turno.”

Até agora, as negociações mais avançadas de Alckmin para essa dobradinha foram com o PSB. O problema, porém, é que os petistas não aceitam  apoiar os candidatos do PSB aos governos de São Paulo, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Pernambuco, Rio Grande do Sul e Acre. A resistência tem emperrado o acordo.

“Nós dissemos ao Alckmin que o PT não vai abrir mão desses Estados e muito menos de lançar o Fernando Haddad em São Paulo”, contou Paulinho. “No Solidariedade não haverá exigências para nada.” O ex-governador ainda não decidiu, no entanto, em qual partido se filiará.

Diante dos obstáculos nas articulações políticas com o PT de Lula, o PSB também decidiu fazer um  movimento paralelo e negociar com o PDT do presidenciável Ciro Gomes. Mesmo assim, não rompeu com os petistas. A ideia é medir a temperatura e dar um ultimato ao PT. Na última quarta-feira, 5, houve uma reunião entre dirigentes do PSB e do PDT, em São Paulo. As tratativas não avançaram, porém, porque naquele dia ocorreu uma operação da Polícia Federal contra o ex-governador Márcio França, pré-candidato do PSB ao Palácio dos Bandeirantes. A ação foi comparada à investida da PF contra Ciro. Um novo encontro deverá ser realizado ainda neste mês.

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