UE pede 1,5 milhão de páginas de documento à Boeing sobre fusão com Embraer

Concretizar fusão será um dos grandes desafios de David Calhoun, que assumirá o comando da fabricante de aviões no próximo dia 13.

Da redação, Estadão Conteúdo,

Escolhido para ser o novo presidente executivo da Boeing, David Calhoun não terá só de lidar com a pressão para renovar a empresa após a crise com o 737 Max, modelo da fabricante de aeronaves que se envolveu em dois acidentes fatais entre outubro de 2018 e março de 2019. Ele também terá de enfrentar os questionamentos de autoridades regulatórias europeias sobre a fusão que a companhia está fazendo com o braço comercial da brasileira Embraer, visto como chave para a estratégia de longo prazo da americana.

Segundo duas fontes familiarizadas com o assunto informaram à Reuters, as autoridades regulatórias da União Europeia estão investigando a fusão, avaliada em US$ 4,2 bilhões. As autoridades da UE pediram às duas empresas mais de 1,5 milhão de páginas com informações e dados de vendas dos últimos 20 anos.

De acordo com as fontes, o volume dos pedidos mostra a preocupação da Comissão Europeia, órgão antitruste do bloco econômico, de que a fusão reduziria o número de participantes no mercado global de jatos de três para dois – além da Boeing e da Embraer, há ainda a europeia Airbus, que compete com a Embraer no mercado de aeronaves abaixo de 150 assentos.

Qualquer entrave ou atraso para a finalização do negócio será um problema para a Boeing, que nomeou Calhoun na última segunda-feira como seu novo presidente executivo. Ele substituirá Dennis Muilenberg, que tentou, mas não conseguiu recuperar a imagem após os acidentes com o 737 Max. Originalmente marcada para ser encerrada em 2019, a fusão da Boeing com a Embraer foi atrasada depois que a Comissão decidiu em outubro por aprofundar sua análise. Agora, a previsão é de que tudo acabe no fim de fevereiro.

Vale lembrar que mercados importantes como EUA, China e Japão já aprovaram a fusão. Espera-se que, no Brasil, o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) faça o mesmo em breve. Procuradas, a Comissão e as empresas se negaram a comentar o assunto.

Tags: Aviação Economia
A+ A-