Azul amarra acordo com credores e pode se unir à Latam para sair da crise

Falta de suporte tem empurrado companhias aéreas para soluções de mercado.

Da redação, Estadão Conteúdo,
Divulgação
Azul ainda aguarda o prometido socorro do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social para sair da crise gerada com a pandemia.

SELO-CORONA-100Ao contrário de Latam e Gol, que conseguiram levantar alguns bilhões de dólares por meio de empréstimos e outros tipos de acordo para enfrentar as dificuldades trazidas pela pandemia de covid-19, a Azul se aproxima de uma solução de mercado para sua própria crise. A companhia ainda aguarda o prometido socorro do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

A hipótese de recorrer à recuperação judicial, conforme vinha sendo fortemente aventando, perdeu força após a Latam Brasil recorrer à Justiça norte-americana, à medida que as conversas com bancos credores começaram a evoluir. Também o acordo de “code share” firmado com a Latam recentemente seria o embrião de uma eventual fusão das duas companhias aéreas, caso as premissas assumidas de recuperação no setor de aviação não se concretizarem.

Depois que a Latam colocou sua subsidária brasileira em recuperação judicial nos Estados Unidos, ao lado das operações norte-americana e chilena, os holofotes se voltaram para a Azul, que estaria desamparada financeiramente e não teria outra saída a não ser recorrer à proteção contra credores da justiça.

No entanto, recentemente, surgiram sinais de que a Azul está perto de um acordo com os bancos brasileiros para a rolagem desses compromissos, envolvendo uma carência de 18 meses e outros 18 meses para o pagamento, segundo fontes. Nessas negociações, estariam sendo desenhadas também as condições para a participação das instituições financeiras no programa de suporte do BNDES. Paralelamente, a Azul mantém discussões com os lessores, arrendadores de aeronaves, que seguem em progresso.

Outro fator que teria contribuído para afastar a Azul de uma solução via Justiça seriam temores de que a companhia aérea recorresse à corte norte-americana, obrigando os credores brasileiros a seguir ordens da Justiça dos EUA, ainda que não haja acordo para o reconhecimento da lei daquele país pelo Brasil.

Para especialistas do setor ouvidos pelo Broadcast, a falta de suporte do governo tem empurrado as companhias para soluções de “mercado”, o que, na verdade seria o desejado. “A hesitação e a demora na liberação de recursos do BNDES sinalizam que o governo não quer trazer para si o protagonismo desse processo de socorro das companhias aéreas”, afirmou uma fonte que acompanha a movimentação do setor aéreo.

Além de o volume de recursos para cada companhia aérea ser relativamente baixo, em torno de R$ 1,2 bilhão, o BNDES contribuiria somente com 60%, sendo que o restante viria de bancos e do mercado de capitais, onde a captação para o setor aéreo seria mais difícil. O custo da linha, em 14% ao ano, também é visto como punitivo para as companhias. “As condições propostas são para não haver um grande incentivo na tomada desses recursos”, acrescenta a fonte.

Diante desse raciocínio, uma eventual fusão da Azul com a Latam também faria sentido. Para um outro especialista, não haveria no governo, de orientação liberal, pudor em aceitar a existência de apenas duas companhias aéreas no mercado brasileiro, lembrando que a Latam pode ser vista como estrangeira.

“O governo já abriu a porta no ano passado para a entrada de companhias estrangeiras e a Latam é uma companhia majoritariamente estrangeira”, afirmou. Segundo ele, o code share entre Azul e Latam é um embrião de um eventual acordo futuro, que poderia ser bem visto pelo governo.

Lessores

Assim como a maior parte das companhias aéreas, as propostas com os lessores giram em torno da repactuação de contratos de aeronaves. A base das negociações com todos são premissas envolvendo a retomada de 50% dos voos até o final do ano, o que possibilitaria à companhia ter caixa para operar até março do ano que vem, de acordo com fontes. A companhia tinha 900 voos em dezembro, número que foi para cerca de 250 com a pandemia. A ideia é que voltem para 450 em dezembro. Outras movimentações feitas pela Azul para solucionar seus problemas sem o amparo do governo envolvem ajustes nos custos, por onde passam as demissões que tem feito.

O balanço do primeiro trimestre da Azul mostra que a companhia possuía R$ 4,8 bilhões em empréstimos e dívida contraída com emissão de debêntures. Em passivos relacionados a arrendamento, a soma estava em cerca de R$ 15,8 bilhões até 31 de março. A Azul irá divulgar seu balanço do segundo trimestre no dia 13 de agosto. Procurada, a companhia não comentou.

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