Associação projeta perdas de US$ 4 bi este ano para aéreas da América Latina

Globalmente, o prejuízo deve chegar a US$ 84,3 bilhões por causa do fechamento de fronteiras.

Da redação, Estadão Conrteúdo,
Fábio Motta / Estadão
Diante da crise da covid-19, companhia aérea Gol negocia parte de ajuda com banco BNDES.

A Associação Internacional de Transporte Aéreo (Iata, na sigla em inglês) apresentou ontem estimativas de perdas financeiras de US$ 4 bilhões (quase R$ 20 bilhões) para as companhias aéreas na América Latina neste ano. Globalmente, o prejuízo deve chegar a US$ 84,3 bilhões em razão de medidas como o fechamento de fronteiras para tentar conter a pandemia do novo coronavírus.

O vice-presidente regional das Américas, Peter Cerdá, fez um apelo para que protocolos de segurança sejam adotados rapidamente pelos governos e afirmou que as aeronaves já estão se adaptando na questão de segurança, para que no mais tardar em julho as operações possam voltar a ocorrer primeiramente em nível doméstico e, em no máximo três meses, internacional.

A avaliação é a de que, entre todos os setores econômicos, as aéreas são as mais prejudicadas e, se a situação perdurar mais, muito mais companhias podem entrar com pedidos de recuperação judicial. “Hoje Ásia, Europa estão abrindo pouco a pouco, ao contrário do que está ocorrendo na América Latina, epicentro da pandemia. Há quatro meses o setor está praticamente parado. É uma tremenda desvantagem não só para o setor, mas para a economia dos países”.

O representante da Iata também alertou para o fato de que alguns governos da América Latina, como Colômbia, Chile, Panamá e Peru, ainda não agiram no sentido de oferecer suporte econômico às companhias. “Sabemos que sempre haverá limitações, mas é preciso haver uma ajuda governamental às empresas, uma vez que cerca de 93% das operações não estão ocorrendo por causa das precauções com a pandemia, como o fechamento das fronteiras”.

No fim de maio, o grupo Latam e suas afiliadas no Chile, no Peru, na Colômbia, no Equador e nos Estados Unidos entraram com pedido de recuperação judicial (Chapter 11) nos Estados Unidos. Foi a segunda aérea da América Latina a fazer a solicitação em meio à crise da pandemia da covid-19. Semanas antes, a Avianca Holdings fez pedido similar.

Sobre o Brasil, Cerdá afirmou que a ajuda financeira do governo às companhias aéreas é positiva. O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) tem negociado com as três principais empresas aéreas do País, Gol, Azul e a operação brasileira da Latam, um apoio emergencial. A capitalização, que deve levantar recursos de R$ 2 bilhões para cada companhia, tem apoio de um grupo de bancos e está prevista para sair ainda este mês.

Folha de pagamentos

 No Brasil, as aéreas têm se esforçado para reduzir o seu custo com folha de pagamento. Nesta semana, a Azul apresentou proposta ao Sindicato Nacional dos Aeronautas (SNA) para garantir a estabilidade dos empregos de pilotos e comissários por 18 meses, mediante redução de salário. 

A proposta ainda precisa passar por votação, mas traz cortes na casa de 40% na remuneração (parte será compensada com benefícios). A oferta veio na esteira do anúncio da Gol, que na semana passada fechou acordo com a categoria com a mesma validade. O entrave é a Latam, que afirmou ter intenção de alterar permanentemente o contrato de trabalho, algo que os sindicalistas disseram ser inviável.

O cenário para as aéreas é desafiador. Em videoconferências recentes, a SNA mostrou à categoria uma queda significativa na necessidade de tripulantes nas cabines para as três principais aéreas. Com menos demanda e restrições de voos, parte significativa da frota continua no chão. Para a Latam, por exemplo, o número de tripulantes de cabine necessários para a operação entre julho e setembro de 2020 é 61% menor do que o quadro da empresa.

Para a Gol, a estimativa é de excesso médio de 33% entre o terceiro trimestre de 2020 e o quarto trimestre de 2021, quando o porcentual ficará negativo em 10% – no pico, a empresa superou 60% de ociosidade. Para a Azul, os valores são negativos na casa de 49% em janeiro de 2021 e 16% em novembro de 2021.

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