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Carlos Alberto Barbosa

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O Messias em seu estado normal

Coluna do Barbosa - 23 de agosto de 2020

Depois de alguns dias adotando a linha "paz e amor", pegando carona no auxílio emergencial que o governo vem dando as pessoas que estão sem trabalhar devido a pandemia do coronavírus, Jair Messias Bolsonaro voltou ao seu estado normal. Neste domingo (23), o Messias se irritou quando questionado por um repórter do jornal O Globo acerca dos depósitos recebidos por Michelle Bolsonaro do ex-assessor Fabrício Queiroz.
ameaçando "dar porrada" no jornalista.

Nada de anormal na atitude do Messias, não sendo a primeira vez e certamente não será a última vez que ele agride a imprensa. Um presidente que tem como seu ídolo o torturador Coronel Brilhante Ulstra - já falecido -, há de se esperar o que? Aliás, o presidente Jair Messias Bolsonaro, a bem da verdade, mais uma vez, quebrou com o decoro que o cargo exige, cometendo, inclusive, crime de responsabilidade.

O jornalista de O Globo agredido pelo presidente Jair Messias Bolsonaro é Daniel Gullino. Em cumprimento de sua obrigação profissional, ele tentou extrair um comentário do presidente sobre os depósitos de Fabrício Queiroz na conta da primeira-dama Michelle, num montante de R$ 89 mil. À indagação, Messias Bolsonaro retrucou grosseiramente: “Vontade que tenho é encher sua boca de porrada”.

Após a agressão ignóbil, o repórter perguntou se o presidente estaria o ameaçando, mas não obteve resposta.

Gullino já teve outros dissabores na cobertura presidencial. Em 4 de março, ele era um dos jornalistas que estava de plantão na saída do Alvorada, onde Bolsonaro protagonizou uma das cenas mais patéticas de seu governo. Transferiu ao humorista Márvio Lúcio, o Carioca, a tarefa de responder às perguntas sobre o pífio resultado do PIB, divulgado na véspera.

Em tempo: depois de ameaçar "dar porrada" num jornalista que lhe fez uma pergunta para a qual não tem resposta, Jair Messias Bolsonaro viu milhares de internautas levantarem a mesma questão: afinal, por que Michelle Bolsonaro recebeu R$ 89 mil de Fabrício Queiroz? A pergunta que não quer calar, presidente!

Em nota, a ABI (Associação Brasileira de Imprensa) disse que “falta compostura” a Jair Bolsonaro, que “busca impedir questionamentos incômodos”. "Tal comportamento mostra não apenas uma inaceitável falta de educação. É, também, uma tentativa de intimidação da imprensa, buscando impedir questionamentos incômodos", afirmou a entidade.

A ABI se solidarizou com o profissional atingido e reafirmou que a pergunta feita ao presidente era pertinente e de interesse público. Por fim, lembrou, ao primeiro mandatário do país que o cargo que ocupa exige maior decoro.

O problema é que o Messias não está acostumando ou não sabe o que é democracia. Talvez não tenha aprendido isso durante o tempo que passou na caserna, daí as suas reações grosseiras e intempestivas.

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