Retorno das crianças às atividades precisa ser gradual, diz psicóloga

Gerlane Lima,

Com o início da flexibilização das normas de distanciamento social no Estado e a expectativa de retorno às aulas escolares em agosto, as famílias devem começar a se preparar para o "novo normal" com as crianças.

Se a pandemia e o confinamento foram repentinos e geraram uma difícil adaptação, pode-se dizer que agora, mais de 100 dias depois da nova realidade, o desafio será voltar às ruas, à escola, ao trabalho e às demais atividades sociais.

Isso porque, apesar da flexibilização e da melhoria dos índices de transmissibilidade, a pandemia ainda é uma realidade, com muitos casos de infecção pelo novo coronavírus registrados diariamente no estado e no País.

"Tudo precisa ser feito de forma gradual, visando um menor impacto negativo no desenvolvimento das crianças", ressalta a psicóloga e analista do comportamento Luanna Martins, diretora do Núcleo Desenvolve.

"Estamos em constante adaptação, e nosso trabalho neste momento também será o de preparar a criança para este retorno e também o de orientar as famílias na condução deste processo", explica.

O Núcleo Desenvolve é uma clínica transdisciplinar com foco em Intervenção Comportamental de crianças e adolescentes. Como atende muitas famílias que convivem com o autismo, por exemplo, tem se preocupado com o impacto da nova rotina na vida dessas pessoas.

"A rotina é muito importante para pessoas com Transtorno do Espectro Autista", lembra Luanna. "A previsibilidade dos eventos facilita no lidar das demandas e estímulos, por isso deve-se manter uma rotina até mesmo nas coisas mais simples, como horários de comer, brincar e atividades de autocuidado", completa, ressaltando que isso irá facilitar uma nova readaptação.

Sobre a saúde mental das famílias de um modo geral, Luanna acredita que, ao chegarmos ao fim deste período de tantas incertezas, precisaremos trabalhar muitas sequelas que vão além da saudade dos parentes e amigos."Além do medo em retomar o convívio social, é provável que demandas como transtornos de ansiedade, depressão, pânico, insônia, Transtorno Obsessivo Compulsivo (TOC) e outras consequências psicológicas venham a surgir em maior escala após esse período de tantas mudanças", prevê.

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