Janeiro Branco é marcado por grandes avanços no tratamento contra o suicídio

Gerlane Lima,

O início do ano chegou e, com ele, o Janeiro Branco, campanha de conscientização que chama a atenção para os cuidados com a saúde mental, pois ainda assusta o número de tentativas de suicídio em nosso Estado: de acordo com levantamento feito pelo Instituto Santos Dumont (ISD) junto ao Observatório da Violência do Rio Grande do Norte (OBVIO/RN), foram 251 lesões autoprovocadas apenas em 2020.

Apesar dos números alarmantes, o professor da UFERSA e psiquiatra Hugo Sailly fala de uma excelente novidade, uma ferramenta poderosa na luta contra a depressão e o suicídio: trata-se do Spravato®️, uma medicação em forma de spray nasal a base de uma substância já bastante conhecida da Medicina, a Cetamina.  “Uma verdadeira revolução na Psiquiatria, pois se antes precisaríamos esperar até 4 semanas para o início de ação dos antidepressivos comuns, agora temos uma medicação com melhora no mesmo dia da aplicação, sendo excelente para pessoas com depressão resistente e/ou em crise suicida”, informa. Vale lembrar que a Cetamina já é usada como anestésico há mais de 50 anos, sendo seu uso já consagrado e difundido em todos os hospitais. A novidade é sua liberação pela ANVISA, no final de 2021, para tratamento psiquiátrico.

O Dr. Hugo Sailly reforça que a medicação está disponível apenas em hospitais credenciados, e que mesmo com efeito quase que imediato, esses pacientes precisam manter seu acompanhamento psiquiátrico, pois “A cetamina em spray nasal é uma medicação que vem somar junto ao tratamento tradicional. Sempre é bom lembrar que o paciente deve manter seu tratamento clássico, com os comprimidos, psicoterapia, manejo do estresse, boa alimentação, dentre tantas outras intervenções focadas em mudanças na vida do paciente e no que causa a depressão”, esclarece.

Além disso, outro avanço apontado consiste na abertura do primeiro Hospital-dia privado em saúde mental do RN. Trata-se de um modelo em que o paciente tem uma internação apenas durante o dia, estando imerso em tratamentos de reabilitação, focando nos fatores que levaram ao adoecimento. O paciente é medicado, alimentado, realiza diversas atividades terapêuticas e retorna para sua casa ao fim do dia. “Eu costumo dizer que é como uma escola de emoções, em que o paciente irá aprender, guiado pelos profissionais do Hospital-Dia, a entender suas qualidades, observar suas fragilidades e a partir daí fazer as mudanças que entender importantes para sua vida. Isso sem tirar o paciente do convívio de sua família, como nas internações psiquiátricas tradicionais, evitando assim todo o preconceito que ainda existe. Dessa maneira, devolvemos ao paciente com qualquer doença psiquiátrica a autonomia, independência e a liberdade de viver a vida com mais qualidade e plenitude, o que sempre é gratificante de observar na prática com a evolução de cada um”, aponta o Dr Hugo Sailly. 

Para o especialista existe mesmo razões para ter esperança. “Eu costumo dizer que a doença mental é muito democrática, qualquer pessoa pode adoecer, seja de uma depressão, ansiedade ou até algo mais sério. Então, saber que hoje podemos ofertar a quem precisa um tratamento de ponta, o mesmo empregado nos Estados Unidos ou na Europa, aqui em nossa cidade, é muito reconfortante”, finaliza Dr Hugo. Para quem já esteve doente ou tem alguém querido precisando de ajuda, saber que existe algo a ser feito pode ser, realmente, a diferença entre a vida e a morte.

Tags: branco Hospital Dia Hugo Sailly janeiro mental saúde Spravato
A+ A-