Filhos autistas ensinam a ver mundo com mais empatia, relatam mães

Gerlane Lima,

aA pandemia e o isolamento social têm criado um vínculo ainda mais forte entre mães e filhos. Com muitas trabalhando em casa e as crianças sem suas atividades presenciais, a convivência tem sido desafiadora e oportuna para reforçar valores importantes.

Para mães de crianças e adolescentes com autismo, o confinamento tem proporcionado mais que a responsabilidade de preservar a rotina em casa e garantir a continuidade dos acompanhamentos. A maneira singular como enxergam o mundo pode ensinar sobre empatia e solidariedade mais do que qualquer outra experiência. 

"Ser mãe de uma criança com autismo é desafiador, mas a gente começa a enxergar o mundo de outra forma, mais leve, humana, até inocente", define a enfermeira Eliemara Lopes. A mãe de Cauã, 8 anos, percebe nele um coração sem maldade, sincero e verdadeiro. "É linda a forma como veem o mundo, apesar das dificuldades".

"Na verdade, ser mãe é uma grande aventura; o autismo apenas deixa a aventura com muito mais emoção", define esta experiência a psicopedagoga Claudia Montgomery, mãe de Davi, 10 anos. "Ser mãe de um autista é ser resiliente todos os dias, se reinventar, acreditar e perseverar", acrescenta.

Claudia conta que a vontade de ver o progresso do filho supera todos os obstáculos. "Aquele sorriso, aquele olhar, aquilo dito em palavras ou gestos, a alegria no compartilhar e no afeto, isso tudo transforma e transborda em amor mútuo", afirma.

Para Eliemara e Claudia, o mundo pós-pandemia ideal é um lugar com mais respeito. "Que as pessoas aprendam que não são melhores que as outras, que enxerguemos o próximo com suas dificuldades e limitações", deseja a enfermeira. "Que haja mais empatia e respeito, e o amor e a solidariedade sejam um bálsamo para os corações aflitos", completa Claudia.

As mães no processo terapêutico

Na vida e no acompanhamento das crianças com autismo, as mães são parte fundamental. Para a psicóloga Luanna Martins, diretora do Núcleo Desenvolve, a Análise do Comportamento Aplicada (ABA) é um estilo de vida, portanto passar horas com o terapeuta não é suficiente. "As mães têm papel muito importante ao colocarem em prática todos os princípios no dia a dia com a criança", ressalta.

"Quando a mãe 'compra a ideia', a intervenção tem efetividade muito maior e a família se torna uma extensão da terapia", diz Luanna. "A criança consegue avançar de maneira notável, apresentando redução dos comportamentos inadequados, adquirindo novos repertórios e generalizando os comportamentos aprendidos no contexto da terapia".

Tags: adolescentes autismo crianças mães Núcleo Desenvolve, a Análise do Comportamento Aplicada
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