Violência dos bandidos travestidos de torcedores venceu o futebol de goleada

Edmo Sinedino,

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Tristeza.

Mas tenho que relatar. A gente não pode ficar omisso diante de tantos absurdos e violências.

Na verdade, nós, que estamos protegidos (até quando?) em nossas cabines, chegamos mais cedo, e saímos bem mais tarde do estádio, não tomamos conhecimento de 10% da violência que acontece em dias de clássico.

Definitivamente, não dá mais. E não vou mais, a partir de hoje, não vou mais conclamar torcedor para ver o clássico.

A Polícia, definitivamente, perdeu a guerra para os bandidos travestidos de torcedores.

Nesta hora que escrevo (já passa das 22h30) quantos confrontos e agressões não aconteceram pela cidade?

Todas se valendo do disfarce do jogo ABC x América.

Nada tem a ver com o futebol, com a partida, mas os clubes são usados, então, vamos parar com tudo isso.

Não dá mais para fazer clássicos em Natal, apenas os de uma torcida só. E mesmo que não aconteça nada nos estádios, nos outros recantos da cidade, sabemos que a coisa não é bem assim.

Relatos me chegam e tenho que reproduzir.

Em um deles, torcedores que estacionaram seus carros na rua lateral do primeiro posto à direita depois do sinal da Rota do Sol, ficaram entre fogo cruzado.

Foram pelo menos cinco tiros numa pracinha entrando para o Conjunto Ponta Negra e os rapazes, torcedores do ABC, correram risco de morte.

O motorista acelerou o carro, fechou os olhos e pediu proteção a Deus. Escaparam ilesos.

Este posto, onde os ônibus param, é guarnecido por policiais militares. Mas esses mesmos policiais não têm como conter ou impedir que os “bandidos” se agridam, entrem em conflito 200 metros depois, na rua escura do lado do posto.

E tem mais: no trajeto para quem vai tomar os ônibus, do Frasqueirão até o local da parada, não tem policiamento, e, claro, acontecem confrontos.

Me digam: me digam: qual o louco que vai pegar esses ônibus para ir ao estádio? Quem vai expor seu filho ou filha, esposa, irmão, pai, mãe a essa disparate?

E ainda perguntei, vejam só, por que o Frasqueirão não lotou no clássico deste domingo.

Hoje escutei mais um depoimento de um apaixonado torcedor do ABC. Daquele tipo que não perde um jogo: eu não vou ao estádio nunca mais. Ele estava dentro do carro que quase foi crivado de balas.

Esses, minha gente, são os relatos das proximidades do Frasqueirão. Ônibus foram apedrejados, confrontos em frente ao shopping Midway foram registrados e certamente muitos outros serão narrados nas crônicas policiais de Tiago Medeiros, do portal Nominuto e outros colegas repórteres policiais.

Não dá mais para chamar o torcedor aos estádios.

Não dá mais para conviver com tanta insanidade e descaso das autoridades com a segurança de quem paga imposto.

É o fim de nosso futebol, infelizmente.

Os exemplos estão em toda parte, Norte, Sul, Oeste, Sudeste e Nordeste...


Tags: bandidos, balas, policia, omisso, organizadas
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