Querem cercear a palavra do médico Ricardo Lagreca

Carlos Alberto,

Um simples artigo em que o médico cardiologista, professor da UFRN (Universidade Federal do Rio Grande do Norte), ex-diretor do HUOL (Hospital Universitário Onofre Lopes) e ex-secretário estadual de Saúde, Ricardo Lagreca, em que faz críticas ao governo Bolsonaro por não saber combater a pandemia da Covid 19 que assusta o mundo e, claro, o Brasil, causou uma frenesi no meio médico do Rio Grande do Norte.

Lagreca, a quem tenho apreço, homem de reputação ilibada que dirigiu o HUOL por longos vinte anos e foi secretário de Saúde por 1 ano e três meses no governo Robinson Faria, deixando o governo por não concordar com ingerência política na pasta, e que ao deixar o cargo foi motivo de elogios por toda a imprensa potiguar, quando a mídia disse que naquele momento Robinson estava perdendo o seu melhor secretário, foi crucificado por colegas ao dizer em texto que "Não há mais lágrimas para chorar, há muita indignação para se mostrar". E é verdade! Dr Lagreca não disse nenhuma injúria, embora alguns não afeitos a liberdade de expressão não respeitem a palavra do médico pernambucano que adotou Natal como cidade para morar e trabalhar.

O que Dr Lagreca disse em artigo, publicado, inclusive, no blogdobarbosa é a mais pura e triste realidade que estamos presenciando por falta de uma política sanitária por parte do governo Bolsonaro. "Como um governo sem rumo, desorientado, desagregador, apoiado por políticas mantenedoras do “status quo “ não permitiu em nenhum momento que houvesse a  uniformidade Federativa, tão necessária nesses momentos de tamanha gravidade e que possivelmente teria dado um  outro rumo a esta tragédia".

E completou:

"Os órgãos de classe , por sua vez, seguem a mesma trilha, fazem a mesma política e lavam as mãos. A morbimortalidade dos profissionais de saúde observada entre nós assume uma cifra que ultrapassa o esperado. A cada dia que se passa sabemos de mais uma morte de um colega médico. Não deve ser assim. Algo precisa ser feito para maior cuidado de quem por obrigação e uma  boa dose de altruísmo é submetido a uma possibilidade de maior  exposição ao vírus".

Para usar um termo da medicina, Ricardo Lagreca foi cirúrgico em sua análise e talvez por isso tenha ferido os brios de colegas que não sabem o significado amplo da liberdade de expressão. Por isso Lagreca foi chamado de petista, como se ser petista fosse um mal. Aliás, ser petista é ser humanista, ao contrário de ser de direita ou ultra-direita, e porque não dizer fascista que não dão valor a vida.

Lembro Jair Messias Bolsonaro, que não consegue apenas lamentar os óbitos por covid-19. O instinto de sobrevivência do presidente brota de suas entranhas e irrompe pela boca, impedindo-o de fazer um comentário em que simplesmente transmita empatia. "A gente lamenta todos os mortos, mas é o destino de todo mundo".

Os seguidores e admiradores de Jair Messias Bolsonaro certamente pensam como ele ao tecer críticas ao Dr Lagreca.

Cito o filósofo e linguista americano Noam Chomsky que disse que "o coronavírus é algo sério o suficiente, mas há algo mais terrível se aproximando". Ele se referia as ameaças de Trump à China. Mas aqui, no Brasil, já vivenciamos uma eterna ameaça do fascismo. E como disse
Chomsky, "o coronavírus é terrível e pode ter péssimas consequências, mas será superado, enquanto as outras não serão. Se deixarmos nosso destino com sociopatas bufões, será o fim".

A conferir!

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