Ombudsman da Folha tem razão

Carlos Alberto,

O jornalista José Henrique Mariante, ombudsman da Folha de S. Paulo, falou sobre um tema bastante preocupante em todo o mundo que retrata a realidade dos jornais impressos nos dias de hoje.

Mariante disse da instabilidade dos jornais impressos e sentenciou: "o modelo de jornal impresso não se sustenta, e o desta Folha [Folha de S. Paulo], se a leitura ainda é feita com o papel sujando as mãos, também parece com os dias contados. É um fenômeno mundial, dramático em países de grande população leitora.".

Lamentavelmente é a pura verdade o que ele disse. E acrescentou: “nada disso seria um problema se a transição do impresso para o eletrônico fosse um caminho tranquilo, uma mudança de cultura a ser apreendida pela Redação e disposta em etapas para o público. Só que ela está mais para revolução, das sangrentas, com desafios diferentes a cada esquina. Conteúdo brota nas telas a partir de gente sem qualificação jornalística assim como de pessoal bem preparado e a soldo de agências de publicidade, empresas, bancos de investimentos e outros. Redes sociais mudam as regras do jogo constantemente. Departamentos de TI, fundamentais nesses novos ambientes, consomem orçamentos que já são limitados. A lista só faz crescer”.

Sobre o que José Henrique Mariante afirmou, de que "conteúdo brota nas telas - de computadores - a partir de gente sem qualificação jornalística, assim como das redes sociais", acrescento o que falou o escritor e filósofo italiano Umberto Eco - in memorian - de que "as redes sociais deram voz a uma legião de imbecis que, antes, só falavam nos bares, após um copo de vinho e não causavam nenhum mal para a coletividade, nós os fazíamos calar imediatamente, enquanto hoje eles têm o mesmo direito de palavra do que um prêmio Nobel. É a invasão dos imbecis".

De fato, as redes sociais estão "substituindo" a imprensa profissional, seja ela escrita, falada ou televisada levando informações muitas vezes mentirosas às pessoas, e como bem disse o ombudsman da Folha,"o risco é ver tudo isso se perder junto com o obrigatório descarte do supérfluo, como um dia o impresso será tratado". 

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