O Estado deve desculpas a Luiz Inácio Lula da Silva

Carlos Alberto,

O que se imaginava parece que aos poucos vai se desmoronando. A revelação feita neste domingo (16) pela colunista Mônica Bergamo, da Folha de S. Paulo, de que a Polícia Federal concluiu que as acusações feitas por Antonio Palocci e vazada pelo então juiz Sergio Moro às vésperas das eleições de 2018, sobre um suposto caixa milionário de propinas para Lula administrado pelo banqueiro André Esteves, do BTG, não têm provas e que foram todas desmentidas pela investigação, nos leva a dizer que o Estado brasileiro deve desculpas, sim, a Luiz Inácio Lula da Silva.

O delegado Marcelo Daher encerrou o inquérito sem indiciar os acusados e afirmando que as informações dadas por Palocci em sua delação “parecem todas terem sido encontradas em pesquisas de internet”, sem “acréscimo de elementos de corroboração, a não ser notícias de jornais”. E mais: Palloci teria embolsado R$ 30 milhões para incriminar Lula e não teria agido sozinho. Quem mais estaria se beneficiando? Quem? E qual o interesse? O que não é tão difícil descobrir, obviamente.

De acordo com o jornalista Joaquim de Carvalho, do site DCM (Diário do Centro do Mundo), durante mais de dois anos, Palocci se ofereceu a Moro para delatar. Ameaçou entregar a Globo e bancos, em depoimento que tratou de outro assunto.” Na época, em chat privado, a procuradora Laura Tessler chegou a comentar sobre a farsa, como se saberia pela Vaza Jato do site Intercept Brasil. “Não só é difícil provar, como é impossível extrair algo da delação dele”, afirmou. “O melhor é que (Palocci) fala até daquilo que ele acha que pode ser que talvez seja”, acrescentou Antônio Carlos Welter, outro procurador da força tarefa de Curitiba.

Como bem disse o advogado de defesa de Lula, Cristiano Zanin, na sua conta no Twitter, a delação de Palocci era um instrumento da Lava Jato para a prática de lawfare contra Lula, assim como as delações em geral". Ou seja, a Lava Jato comandada pelo então juiz Sergio Moro se utilizou da lei e dos procedimentos legais pelos agentes do sistema de justiça para perseguir quem fosse declarado inimigo, no caso Lula. Assim, o sistema jurídico foi manipulado para dar aparência de legalidade às perseguições aos adversários.

Fica mais do que provado que a Lava Jato estava a serviço do então candidato à Presidência da República, Jair Messias Bolsonaro. O objetivo era tornar Lula inelegível e para isso seria preciso prendê-lo, custasse o que custasse e tirar assim seus direitos políticos. Repito o que disse o ministro Gilmar Mendes, do STF, relator do processo que julga o pedido de suspeição de Sergio Moro na condenação do ex-presidente: o então juiz Sergio Moro pretendeu criar um “fato político” contra o ex-presidente Lula ao incluir o acordo de delação de Antonio Palocci às vésperas da eleição de 2018.

“Resta claro que as circunstâncias que permeiam a juntada do acordo de delação de Antonio Palocci no sexto dia anterior à realização do primeiro turno das eleições presidenciais de 2018 não deixam dúvidas de que o ato judicial encontra-se acoimado de grave e irreparável ilicitude”, ressaltou Gilmar Mendes.

Ainda em julho de 2018, em entrevista à Folha, um dos principais procuradores da Lava Jato à época, Carlos Fernando dos Santos Lima, admitiu que a delação premiada de Antônio Palocci, que a mídia conservadora qualificou como “delação do fim do mundo”, e que seria capaz de “destruir o PT”, era um blefe. Na entrevista, concedida ele reconheceu que havia uma guerra entre o Ministério Público e a Polícia Federal pelo controle da Lava Jato. Agora a Polícia Federal coloca a farsa abaixo.

Alguém ainda tem dúvidas sobre essa farsa que a Lava Jato produziu para incriminar Lula sem nenhuma prova? Portanto, digo que o Estado brasileiro deve desculpas a Luiz Inácio Lula da Silva em nome da justiça e da moralidade.

A conferir!

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