Democracia em vertigem tá mais que atual

Carlos Alberto,

 'Democracia em Vertigem', documentário brasileiro de 2019 dirigido por Petra Costa, indicado ao Oscar de Melhor Documentário de Longa Metragem em 2020, define uma "tragédia épica de corrupção e traição no Brasil. O documentário retrata os bastidores do impeachment da primeira mulher presidente, Dilma Ruosseff, o julgamento do seu antecessor, Luiz Inácio Lula da Silva, a eleição do candidato de extrema-direita, Jair Messias Bolssonaro, e a crise política-econômica, e agora mais precisamente, sanitária do Brasil. O filme entrelaça o pessoal e o político para narrar um momento decisivo da história recente do Brasil, também considerado como "uma advertência a todas as democracias do mundo" .

Me reporto ao documentário de Petra Costa para dizer quão é a realidade da alteração no centro do equilíbrio (vertigem) da democracia brasileira, neste momento em que enfrentamos uma crise institucional entre os poderes Executivo e Judiciário com afrontas e desafios frequentes do Messias presidente e a sua trupe de seguidores que carregam consigo o ódio na alma já transformados visivelmente em transtornos psicóticos. Prova maior é que todos os domingos, como se fosse uma seita, essa trupe de apoiadores se planta na frente do Palácio do Planalto, com a presença do "Messias", claro e obviamente, para decantar aos quatro cantos do Planalto a quebra da normalidade democrática com chavões pouco republicanos.

E quem é o maior culpado pela eleição de Jair Bolsonaro à Presidência da República, o presidente com o maior índice de rejeição entre todos pós o processo de redemocratização do país? Você que votou nele! E não tenho o menor constrangimento em afirmar isso às "vivandeiras" do poder que têm saudades da ditadura, muitos deles (as) que nem vivenciaram ou, sequer, leram algum livro que fala sobre o regime militar no Brasil. Quando o deputado Eduardo Bolsonaro, com seus arroubos invocou a possibilidade de edição de um “novo AI-5” para enfrentar opositores, não foi um exagero retórico. Ele externou o que pensa o grupo que ora está no poder, a começar pelo pai, o presidente Jair Bolsonaro, que passou toda a sua vida como político a lamentar o fim da ditadura. Também é de Eduardo Bolsonaro a fala de que para fechar o Supremo Tribunal Federal basta "um jipe, um soldado e um cabo".

O Messias, por sua vez, tem como ídolo o torturador da ditadura militar Coronel Brilhante Ulstra - já falecido -, chegando a evocar seu nome na votação do impeachment da presidente Dilma. O Messias não faz por menos quando disse na fatídica reunião ministerial do dia 22 de abril que vai dar armas à população. A fala do presidente Jair Messias Bolsonaro sobre dar armas para a população foi rejeitada por 72% das pessoas entrevistadas em pesquisa Datafolha divulgada neste domingo (31) pelo jornal Folha de S.Paulo. Menos mal.

Contudo, ainda neste domingo, em São Paulo, houve confrontos entre os grupos pró-Bolsonaro e os manifestantes antifascistas que foram à Paulista protestar em favor da democracia e contra o nazi-fascismo. Isso já é um reflexo dos discursos antidemocráticos e pouco republicano do Messias que não veio para salvar e sim dividir o Brasil.

Ditadura nunca mais!

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