Data Venia Sr presidente, mas o governo do Sr acabou

Carlos Alberto,

O governo Jair Bolsonaro acabou literalmente. Um governo da ilegalidade que não se sustenta numa reunião ministerial, onde era pra se discutir os problemas do Brasil e procurar soluções, acabou virando uma comédia pastelão, onde ao menos 34 palavrões saíram da boca do presidente para reclamar principalmente que não recebia relatórios dos órgãos de informações do seu governo, mais precisamente da Polícia Federal.

Clara e abertamente o Messias disse na reunião a seus asseclas que queria armar a população para que ela possa se defender contra uma possível "ditadura". Ou as menções foram à formação de milícias fascistas armadas para reagirem à políticas públicas que lhes desagradem. A declaração do presidente foi muito grave, uma ameaça a democracia brasileira.

E o fato de que ele não iria deixar o clã se "fuder" e que para isso tinha o seu canal de informantes particular, que segundo o próprio atua melhor do que os´órgãos de informação de seu governo? A bem da verdade, o Sistema Brasileiro de Inteligência (Sisbin), coordenado pela Agência Brasileira de Inteligência (Abin), recebeu um total de 1.272 relatórios de inteligência produzidos por diversos órgãos do governo nos anos de 2019 e 2020. Esses relatórios são usados para repassar informações estratégicas ao Palácio do Planalto para ajudar na tomada de decisões. Claro, o Messias queria informações sobre o seu clã, óbviamente, em supostas investigações.

E os desmentidos frequentes sobre a sua interferência na Polícia Federal, que o Messias disse que no fatídico vídeo sobre a reunião ministerial não iria ficar provado nada. Como assim cara pálida? O presidente decidiu tirar Maurício Valeixo do comando da Polícia Federal e avisou o então ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, horas antes da reunião ministerial de 22 de abril. É o que apontam mensagens trocadas entre Bolsonaro e Moro no início daquele dia. As mensagens integram o inquérito que apura supostas tentativas do presidente de tentar interferir na PF.

O Messias mostrou também na reunião com os asseclas como se deve agir para proteger os amigos:

" E assim nós devemos agir, como tava discutindo agora. O Iphan, não é? Tá la vinculado à Cultura. Eu fiz a cagada em escolher, nu ... não escolher uma, uma pessoa que tivesse o ... também um outro perfil. E uma excelente pessoa que tá lá, tá? Mas tinha que ter um outro perfil também. O Iphan para qualquer obra do Brasil, como para a do Luciano Hang. Enquanto tá lá um cocô petrificado de índio, para a obra, pô! Para a obra. O que que tem que fazer? Alguém do Iphan que resolva o assunto, né? E assim nós temos que proceder", afirmou o presidente.

Data Venia Sr presidente, mas nem o Sr merece ocupar a cadeira de presidente da República, nem tampouco os seus ministros merecem os cargos que têm. Olhem o que pregaram na reunião dita ministerial:

A "Maria Louca da República", se comparada a do Império é bem pior; quer
prender governadores e prefeitos. Paulo Guedes, o ministro da Economia que só pensa em privatização, inclusive, privatizar o Banco do Brasil, quer salvar os grandes empresários prejudicados com a pandemia da Covid-19 e mandar os médios e pequenos as favas. Aos servidores públicos ele manda bananas, tal qual o seu chefe.

Weintraub, ministro da Educação - será mesmo? - revela racismo aberto, ofende os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) chamando-os de vagabundos. E Ricardo Salles, o ministro destruidor de florestas, revela toda a razão cínica que o populismo de direita de Bolsonaro tenta ocultar com seu proselitismo ativista.

Pra não ficar só na fatídica reunião ministerial do dia 22 de abril, que é o Dia do Descobrimento do Brasil, mas que pode ser chamado agora também do Dia da Ilegalidade, tamanha as ilegalidades colocadas nesta reunião, cito um fato que considero tão grave ou até maior do que já foi dito aqui. Me reporto a uma declaração do ex-ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, que em entrevista publicada na imprensa na semana passada disse que "Bolsonaro quis alterar a bula da Cloroquina".

“Me pediram para entrar numa sala e estavam lá um médico anestesista e uma médica imunologista. […] E a ideia que eles tinham era de alterar a bula do medicamento na Anvisa, colocando na bula indicação para Covid”, afirmou Mandetta. 

A cloroquina ganhou destaque no noticiário nacional, após ser defendida por Bolsonaro. A Apsen é a empresa farmacêutica responsável pela produção do remédio composto por hidroxicloroquina e tem como dono um eleitor bolsonarista, o empresário Renato Spallicci.

Ah, antes que esqueça: a jornalista Andréia Sadi informou em seu blog que o empresário Paulo Marinho lhe disse que tenta recuperar um antigo celular do ex-ministro Gustavo Bebianno, morto por infarto em março. O aparelho está nos Estados Unidos e guarda informações de um ano e meio da coordenação de campanha de 2018 do presidente Jair Bolsonaro

"Esse celular tem registros de conversas dele durante um ano e meio de convívio da campanha, entre ele e todas as pessoas que participaram da campanha", disse. "Eu não posso te dizer o que tem, até porque eu não tenho conhecimento, mas eu quero resgatar esse telefone, até pra saber o que tem ali, para acabar com essa dúvida, que é sua e que é minha também."

Paulo Marinho prestou depoimento à Polícia Federal e ao Ministério Público Federal, na semana passada, depois de afirmar que o filho do presidente, senador Flávio Bolsonaro, foi avisado por um delegado da PF de que seu assessor, Fabrício Queiroz, seria alvo de uma operação policial. Isso na campanha eleitoral de 2018.

O empresário disse também que a ação foi adiada para que não deixasse a família em evidência em período eleitoral. Hoje, Marinho rompeu com o clã Bolsonaro e é pré-candidato do PSDB à prefeitura do Rio.

A conferir!

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