Bolsonaro, Moro e Judas Iscariotes. Quem traiu quem?

Carlos Alberto,

O ex-juiz federal e ex-ministro da Justiça, Sérgio Moro, conheceu nos últimos dias que não existe negociação entre patrão e empregado. Ao trocar 22 anos de magistratura por um cargo de primeiro escalão no governo Bolsonaro com a "promessa" de ser indicado depois para o cargo vitalício de ministro do Supremo Tribunal Federal, Moro caiu no conto do vigário.

Primeiro, mandou prender Lula porque sabia que se Lula fosse candidato atrapalharia os planos do seu ex-patrão de chegar à Presidência da República, o que Lula numa das oitivas com o então juiz Sérgio Moro profetizou:"eu queria lhe avisar uma coisa Dr Moro. Estes mesmos que me acusam hoje, se tiverem sinais de que eu serei absolvido, prepare-se porque os ataques ao Sr vão ser muito mais fortes". Clique aqui para conferir.

Depois, vazou propositalmente a delação do ex-ministro Antonio Palocci no segundo turno das eleições de 2018 com o propósito de favorecer Jair Bolsonaro na disputa com Fernando Haddad (PT). “Ele (Moro) estava muito próximo desse movimento político, tanto que no segundo turno ele fez aquele vazamento da delação do Palocci. A quem interessava isso? Ao adversário do PT. Depois, ele aceita o convite, que é muito criticado, para ser ministro deste governo Bolsonaro, cujo adversário ele tinha prendido. Ficou uma situação muito delicada, se discute a correição ética desse gesto”, disse o ministro Gilmar Mendes, do STF, em entrevista publicada no portal da revista Época.

Sérgio Moro fala em não aparelhamento da Polícia Federal, depois de ter aparelhado a instituição para conseguir a injusta condenação de Lula.
O mesmo Sérgio Moro omite que, como juiz, ligou para o então delegado da PF em Curitiba, Ricardo Valeixo, amigo e diretor exonerado da PF por Bolsonaro agora, para impedir o cumprimento do habeas corpus concedido a Lula por Rogério Favretto naquele 8 de julho de 2018. Detalhe: Sérgio Moro estava de férias.

Caso as denúncias de Moro contra Bolsonaro sejam antigas, como ele mesmo disse que iria entregar à Polícia Federal o resultado de conversas de 15 meses mantidas com Bolsonaro e gravadas no seu celular, ele sabe que o presidente estaria cometendo um crime e ele como então ministro da Justiça permitiu sem tomar nenhuma providência como oficiar ao procurador-geral da Justiça e pedir demissão, o que não o fez anteriormente.

A Polícia Federal terá 60 dias para as investigações, começando pela oitiva deste sábado (2) com Sérgio Moro, para apresentação de suas provas.

Ou constata-se os crimes denunciados por Moro, nesse caso abre-se um processo contra Bolsonaro; ou processa-se Moro por denunciação caluniosa.

Se caracterizado o crime comum, Bolsonaro será imediatamente afastado do cargo por 180 dias, se houver autorização de 2/3 da Câmara. Isto se Bolsonaro não cooptar o Centrão para livrar ele de um processo de impeachment. O velho toma lá da cá, que Bolsonato tanto "condena".

Considerando que também foi assim na eleição de 2018 e nos meses seguintes, quando o mito Lava Jato trocou alianças com o mito da nostalgia do porão da ditadura, nada impede que aliados e adversários apontem o dedo para fazer a mesma pergunta: por que só agora?

Fato é que como disse o jornalista Paulo Moreira Leite, no Jornalistas pela Democracia, "quem pariu Bolsonaro que o embale", não é Sérgio Moro?

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