Conhecimento como Elemento de Libertação

O artigo traz à baila a importância do conhecimento para a vida em sociedade e para o crescimento humano, bem como a premente necessidade do congraçamento de todos, visando ao combate da desinformação

Lígia Limeira,

É do físico teórico alemão Albert Einstein a máxima “nenhuma mente que se abre para uma nova ideia voltará a ter o tamanho original”, o que bem delineia a relevância do conhecimento para a libertação e o crescimento humanos, em todos os níveis de acepção.

Nunca se viu tanta celeridade na disseminação de fatos e de notícias como nos dias de hoje, o que se justifica pelo amplo leque de meios de comunicação, com destaque para o WhatsApp, aplicativo de mensagens instantâneas e de chamadas de voz para smartphones, a partir de conectividade com a Internet.

Referida ferramenta não é utilizada somente para mensagens de texto. Imagens, vídeos e documentos em PDF podem ser encaminhados instantaneamente, o que gera não só praticidade e fascínio, mas também uma certa dependência aos usuários, já habituados à diversidade e à velocidade de tais informações.

Para que se tenha uma ideia relativamente precisa dessa realidade, há de se recorrer ao número de acessos em 60 segundos, com envio de mensagens, registrados no WhatsApp e no Facebook, ambos sob o domínio de Mark Zuckerberg, um jovem que conta apenas 36 anos de idade e U$ 104 bilhões de patrimônio: 59 milhões!

É bem verdade que as facilidades geradas pelo acesso à informação são de inequívoca utilidade, mas daí surge uma preocupação para além do já reconhecido tempo que a navegação no aplicativo e nas redes sociais consome da nossa rotina diária: a superficialidade de informações e uma inevitável profusão do processo de desinformação.

Por meio de pesquisa de Intenção de Consumo das Famílias (ICF), indicador com capacidade de medir, com precisão, a avaliação que os consumidores fazem sobre aspectos importantes da condição de vida de suas famílias, tais como a sua capacidade de consumo, atual e de curto prazo, verificou-se que uma em cada quatro pessoas consomem notícias via WhatsApp, pautando-se, via de regra, pelas manchetes ali estampadas.

Em relação à preferência para o consumo de notícias, aferiu a dita pesquisa que 33% preferem acessá-la pelas redes sociais, enquanto 23% dos entrevistados afirmaram não ter qualquer interesse nesse tipo de consumo. O percentual remanescente ficou dividido entre sites de notícias, Apps de mensagem, televisão, rádio e impressos.

Depreende-se, dessa realidade, que o povo brasileiro tem pouquíssima preocupação com a qualidade e a fidedignidade da notícia que consome e, por ser o Brasil o segundo país em número de usuários no aplicativo - ficando atrás apenas da Índia -, tal comportamento converge  para a desinformação em massa, especialmente na propagação das chamadas fake news, que servem para fomentar interesses escusos, muitas vezes financiados por conglomerados econômicos, prejudicando um sem número de pessoas, físicas e jurídicas.

Diante desse cenário, urge que nos unamos no combate à desinformação, bem assim em prol da conscientização da sociedade acerca dessa mazela, que vai de encontro ao crescimento humano e ao aperfeiçoamento da liberdade de expressão, tão cara ao regime democrático.

Aproveitando a deixa, chamo a atenção para a proximidade das eleições, quando elegeremos representantes para os 5.570 municípios do país, ressaltando que os votos nulos e em branco não são computados na apuração dos votos, sendo eleitos os que foram contemplados no processo de votação. E mais: não procede a informação de que a abstenção superior a 50% anula um pleito. Trata-se apenas de mais um boato, que muitos, sem pensar duas vezes, fazem circular por aí... 


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