Repensando, a vida!

Rafaella Domingues,

     Gosto de ler. Fui tomando gosto pelos livros na infância, ouvindo as contações de histórias do meu avô e do meu pai. Hoje, ao ler, além de receber esse eterno carinho dos dois, conheço lugares e pessoas, viajo nos enredos e mudo a roupagem da minha alma, parafraseando Mario Quintana.

     Outro dia, fui surpreendida por Rubem Alves. Ele revelou uma parte interessante da sua história de vida. O texto está contido em um dos seus livros que traz um título inspirador “Se eu pudesse viver a minha vida novamente”. Contou ele que se tornou um grande escritor em decorrência dos sucessivos fracassos pessoais e familiares. Se tornou quem é porque todos os projetos de vida deram errado.

     Diante dos fracassos, da solidão e do sofrimento, narrados por ele, a sua poesia poderia simplesmente nunca ter surgido. E nós, não seríamos presenteados com a sua arte. Mas, para a nossa felicidade, ele escolheu se lançar para o novo, para o desconhecido tão temido por nós, na maioria das vezes. Ele foi corajoso. Transformou a dor em poesia.  

     Às vezes, adormecidos nas decepções e com os corações sobrecarregados de angústias e mágoas, acabamos por tolher todo o potencial criativo que trazemos em nós. Esquecemos quem somos. Não trocamos a roupa da alma. Passamos a viver com aquela impossibilidade que paralisa “ se tivesse feito isso”, “se tivesse feito aquilo”. E assim, afundamos nas lamentações, vitimizados. Esse “se” maltrata demais. E tem (muita) gente que vive assim. Eu mesma conheço várias delas.

     E “se” Rubem Alves pudesse viver a própria vida novamente? Você pode estar se perguntando. Bem, ao longo dos seus setenta e poucos anos, gostou da imagem que o espelho refletiu. Ele teve um caso de amor com a sua vida, com a história que escreveu. Por isso, nada mudaria. Viveu plenamente as suas escolhas, principalmente nos momentos nos quais a vida se mostrava dura e, por vezes, implacável.

     Mas, e você? Como responderia? Lanço um convite. Convido você a ler os capítulos do livro da vida, escritos por você. Para uns pode ser mais sereno, para outros, um pouco mais árduo. Para esses últimos, reverencie o que viveu, cada etapa, todas as conquistas, os erros, assim como os amores e amigos que passaram por você. Tudo isso construiu quem você é hoje. E para viver, não novamente, mas, plenamente diferente, lembre-se: a vida está posta. A vida pode ser mais leve, mais digna, mais autêntica, a escolha é sua. A sua vida é intransferível. Ninguém pode viver por você e cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é, como diz Caetano.

     Não existe uma receita, é verdade. Mas um caminho possível é sentir o que faz o seu coração pulsar e perceber os sinais que ele envia para você, indicando a direção a seguir. É possível que você encontre muitas e muitas pedras pelo caminho, mas acredite, você pode construir um castelo juntando todas elas.

Viva a Vida!

   


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