Com 90% de cancelamentos em março, hotelaria do RN deve fechar as portas em abril

Alguns hotéis já estão sem receber hóspedes, tanto em Natal quanto na Pipa.

Da redação, ABIH,
Divulgação
Hotelaria emprega no Rio Grande do Norte mais de 50 mil trabalhadores diretos, e mais de 200 mil indiretos.

SELO-CORONA-100Com uma taxa de mais de 90% de cancelamentos das reservas no mês de março, segundo levantamento realizado pela ABIH do Rio Grande do Norte entre os seus associados, a perspectiva é de fechamento de quase todos, senão de todos os hotéis a partir do início do mês de abril. Alguns hotéis já fecharam suas portas, tanto em Natal quanto na Pipa.

“O setor do turismo foi bastante impactado, a princípio alguns hotéis estão fechando por 30 dia, mas a tendência é de que todos paralisem suas atividades simplesmente porque não vai ter hóspedes, e, com isso vem as incertezas do futuro que nos espera para os próximos meses, por causa do Covid-19”, afirmou José Odécio, presidente da ABIH.

A hotelaria emprega no Rio Grande do Norte mais de 50 mil trabalhadores diretos, e mais de 200 mil indiretos. O prejuízo até agora é de quase 400 milhões de reais, e vai crescer ainda mais, com iminência de perda de milhares de empregos.

“O setor de turismo, especialmente a hotelaria, já está sofrendo bastante com essa crise, tendo em vista que não estão vindo turistas, e, portanto, os hotéis tendem a colapsar. É evidente que essa situação é gravíssima e há um risco enorme de perda de empregos, o que nos preocupa bastante. Só aqui em Natal, da hotelaria, são mais de 45 mil funcionários, e para que isso não ocorra esperamos que haja medidas dos governos para ajudar o setor a passar por essa crise, que é, de longe, a mais grave crise já enfrentada pelo setor”, comentou José Odécio.

O setor de turismo aguarda com otimismo as medidas que o Governo Federal deve anunciar entre esta segunda e terça-feira para a hotelaria, bares e restaurantes, de longe, os mais atingidos. Outras medidas precisam ser tomadas pelos governos do estado do RN e pela prefeitura do Natal, especialmente no que tange ao ICMS da energia, gás e água, além da suspensão de cobrança do Simples Estadual, e o ISS e IPTU, estes de competência municipal.

“Numa crise com essas proporções, caso as autoridades das três esferas de poder, aí incluídos o Estado do RN e o Município de Natal, não tomem providências para assegurar os empregos, a catástrofe estará instalada. É preciso manter os empregos e as empresas, e cada um tem de contribuir para atenuar essa grave crise – governos federal, estadual e municipal, sob pena da crise colapsar toda a economia por muito mais tempo”, ressaltou José Odécio.

 “Cobrar tributos de empresas à beira da falência não vai resolver a crise, vai agravá-la, e é isso que estamos tentando evitar e acredito que, tanto a governadora Fátima Bezerra quanto o prefeito Álvaro Dias, têm sensibilidade suficiente para compreender o que estamos sugerindo. O que pretendemos é manter as empresas e os empregos para quando a crise passar, possamos, mesmo com muitas perdas, retomar nossas atividades e ajudar a economia voltar a crescer”, destacou o presidente da ABIH-RN.

Nesta segunda-feira (23) a ABIH encaminhará à governadora Fátima Bezerra e ao prefeito Álvaro Dias as medidas mitigadoras que o setor de Turismo espera que sejam tomadas, visando minimizar os graves efeitos dessa crise.

Tags: ABIH hotelaria portas fechadas
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