RN está entre os 12 estados listados com atuação de milícias no país

Levantamento do jornal O Globo mostra expansão de grupos criminosos que se aproveitam da ausência do poder público.

Da redação,
Arquivo/MPRN
Policiais da Força Nacional durante operação contra a ação de milícia, no município de Ceará-Mirim.

O Rio Grande do Norte é um dos 12 estados com registro de atuação de milícias no país. O levantamento aparece em reportagem publicada nesta segunda-feira (5) pelo jornal O Globo. Segundo a matéria, grupos paramilitares compostos por servidores públicos, empresários, policiais e ex-policiais exploram um modelo de negócios amparado em violência e desordem fundiária, com ações criminosas semelhantes pelo país.

No RN, operações realizadas pelo Ministério Público em conjunto com forças policiais vêm combatendo esse tipo de investida criminosa. A ação mais recente ocorreu no dia 25 de junho deste ano, resultando na prisão do vereador de Ceará-Mirim, Luciano Morais da Silva. O parlamentar foi acusado de ser o mandante de um homicídio praticado em 2016 contra Micarla Araújo do Nascimento, pelo fato dela ter feito críticas à atuação de Luciano enquanto detentor de cargo público e por, através de uma ordem dele, ter sido presa e torturada.

As investigações do MP apontam que Luciano Morais entrou em contato com vários membros relevantes do grupo de extermínio e contratou, segundo relato de colaboradores, a morte da mulher.

Outras operações realizadas em fevereiro e abril deste ano também resultaram nas prisões de supostos integrantes de um grupo apontado como responsável por dezenas de assassinatos na cidade, incluindo um policial militar que seria o líder da milícia.

Em uma ação conjunta do MP e da Força Nacional realizada em 3 de fevereiro passado, o policial militar Erinaldo Ferreira de Oliveira foi preso por suspeita de chefiar a mesma milícia com atuação em Ceará-Mirim. Segundo as investigações, Naldão, como é conhecido o PM, assumiu a chefia da milícia após a morte do sargento PM Jackson Botelho, assassinado no dia 20 de fevereiro de 2017.

Na ocasião da operação realizada em fevereiro de 2018, a então secretária de Segurança Pública e da Defesa Social, Sheila Freitas, confirmou a atuação da milícia na região. “Comprovamos a existência de milícia naquele município. Eram pessoas que cobravam pela segurança e não uma empresa de vigilância ou de segurança armada. Eram pessoas que se diziam vigias de rua e se juntavam a alguns policiais, recrutando pessoas e recebendo dinheiro para matar desafetos e consumidores de drogas”, explicou em entrevista na época.

Na denúncia que resultou na prisão de Naldão, o MP detalha o relatório das investigações e aponta que, dentre os mais de 100 inquéritos policiais instaurados com o objetivo de apurar os crimes em Ceará-Mirim, 74 possuem a mesma dinâmica criminosa: os executores utilizam motos ou carros, balaclavas e roupas escuras, efetuam disparos em quantidade excessiva e em especial na região cervical da vítima, ameaçam as testemunhas presentes e fogem sem deixar qualquer vestígio.

Ainda segundo as investigações, as informações obtidas pelo MP reforçam que a organização criminosa atua na prestação de serviços de segurança privada e ainda na “eliminação” de pessoas ditas ou por eles consideradas como “bandidos”, promovendo aparente sensação de paz social, “regada pelo assassinato brutal de vários homens e mulheres”.

Tags: Ceará-mirim envolvimento com milícia Segurança Pública
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