'É dor que não passa nunca', diz mãe de jovem morta durante roubo

Micaela Avelino, refém em um assalto, é uma das 2,3 mil vítimas no Rio Grande do Norte.

Da redação, Estadão Conteúdo,
Bruna Justa/Estadão
Salete Ferreira perdeu a única filha, Micaela Avelino, assassinada durante um roubo ocorrido no ano passado, em um shopping de Nova Parnamirim.

O dia 13 de julho de 2017 marcaria o início de uma nova fase na vida da publicitária Micaela Ferreira Avelino, então com 26 anos e filha única da esteticista Salete Ferreira. Mica, como era conhecida, e um amigo terminavam de montar, na manhã daquela quinta-feira, uma barbearia em um minishopping em Nova Parnamirim, região metropolitana de Natal. No momento que o primeiro cliente sentou para ter o cabelo e a barba feitos por Micaela, cinco homens invadiram a barbearia e anunciaram um assalto, levando-os como reféns até o corredor principal do shopping.

Os homens tentavam roubar malotes de dinheiro de um carro-forte que abastecia um caixa eletrônico instalado em uma loja próxima da barbearia e usaram Micaela e o cliente como escudos humanos.

Em uma ação desastrosa, bandidos e os seguranças da empresa de valores iniciaram troca de tiros. Clientes de outras lojas corriam pelo shopping tentando se proteger, enquanto lojistas baixavam as portas. Na ação, o cliente da barbearia conseguiu se desvencilhar do assaltante que o dominava e se escondeu atrás de uma lanchonete. O bandido fugiu.



Micaela não conseguiu se desgarrar do homem que a segurava pelo colarinho da camiseta e acabou atingida pelos estilhaços de um tiro de espingarda calibre 12 desferido por um dos seguranças da empresa de valores que feriu fatalmente o assaltante que a usava como escudo.

Levada às pressas ao hospital, Mica apresentava perfurações na mão, no rosto e na nuca. Morreu enquanto recebia socorro. Os outros três bandidos que sobreviveram à troca de tiros fugiram ilesos. Micaela foi uma das 2,3 mil vítimas da violência letal no Rio Grande do Norte ao longo do ano passado, o que fez o Estado saltar pela primeira vez para o posto de mais violento do País.

MicaelaAvelino

“Ela já havia sido assaltada na barbearia anterior e tinha se mudado para o novo ponto porque considerava que seria mais seguro. Eu sequer conheci a barbearia. Era o primeiro dia de funcionamento”, relembra Salete, de 45 anos. “Fiquei sem chão. É dor que não passa nunca.”

Governo

Em nota, a Secretaria da Segurança do Estado disse que vem conseguindo reduzir os homicídios em 2018: de janeiro a julho, a redução teria alcançado 14% na comparação com o ano passado. A pasta critica a metodologia usada, alegando que os dados não são uniformizados por todos os Estados.

Tags: Atlas da Violência 2018 Fórum Brasileiro de Segurança Pública Violência
A+ A-