Médicos de Natal decidem entrar em greve por tempo indeterminado

Segundo o Sinmed, não pagamento de gratificações já chega ao décimo mês de atraso.

Da redação,
Sinmed/RN
Médicos do município decidiram no dia 13 deste mês iniciar uma greve geral a partir de hoje, devido ao não pagamento de gratificações.

Médicos da rede pública municipal entraram em greve por tempo indeterminado a partir de hoje (19). Eles reivindicam melhores condições de trabalho, o pagamento de gratificações e o cumprimento do plano de cargos, carreiras e salários. Eles vinham realizando paralisações pontuais e manifestações desde o início do mês de outubro, mas até o momento não houve nenhum posicionamento por parte da Prefeitura do Natal.

Pela manhã, os médicos se reuniram na sede do Sindicato dos Médicos do Rio Grande do Norte (Sinmed), onde realizaram uma reunião para articular as atividades do dia. Em seguida saíram em carreata até o Holiday Inn Natal, com bandeiras, cartazes e carro de som, afim de chamar atenção do prefeito Álvaro Dias, que estava no local fazendo o lançamento da programação do Natal em Natal.

Durante o período de greve, os atendimentos eletivos serão totalmente paralisados. Já o trabalho nas unidades de pronto-atendimento, maternidade e do Hospital Municipal contará com 50% do efetivo.

Segundo o presidente do Sinmed, Geraldo Ferreira, a Prefeitura do Natal está devendo cerca de R$ 50 mil para cada um dos 100 médicos que passaram no concurso do ano passado e não estão recebendo 50% da remuneração, devido a uma gratificação que não foi implementada pelo Executivo municipal.

O Sinmed divulgou uma nota na tarde de hoje, posicionando-se acerca da assistência à saúde pública no Estado e dizendo que seguirá tomando as medidas necessárias, dentro das suas prerrogativas legais, para proteger a boa prática da Medicina. "Repudiamos toda e qualquer tentativa de transferência de responsabilidade pelo caos que se instala para os médicos estatutários ou terceirizados, que labutam apesar dos sucessivos atrasos salariais", diz o comunicado.

Confira a nota da Cremern na íntegra:

Nota de esclarecimento à sociedade e aos médicos

O Conselho Regional de Medicina do Rio Grande do Norte (Cremern) no uso de suas atribuições legais de prestar serviço à sociedade fiscalizando e regulamentando a prática médica, vem a público esclarecer e apresentar o seu posicionamento a respeito da assistência à saúde pública do nosso Estado.

O corpo de Conselheiros, perplexo e preocupado com a dimensão dos problemas que se avolumam nos últimos meses, informa à sociedade que os gestores de saúde pública do Estado, na narrativa de atravessar por um momento de transição e ruptura de paradigmas, vêm produzindo interrupções e precarização na assistência, com consequências diretas na prática médica e na saúde da população.

Consideramos que mudanças no sistema de saúde exigem planejamento e discussões com os diversos segmentos, ouvindo especialmente os principais envolvidos e que trabalham na linha de frente. Importante exemplificar que o planejamento para a assistência ao paciente com “pé diabético” acontece à revelia dos especialistas e representantes da Cirurgia Vascular. O mesmo acontece com a Ortopedia. Os gestores também ressaltam que farão contratação por produção o que direciona a discussão para o tema produtividade.

Dessa forma, a instituição manifesta que continuará atenta aos diversos problemas e que seguirá tomando as medidas necessárias, dentro das suas prerrogativas legais, para proteger a boa prática da Medicina e garantir uma assistência adequada à saúde da população. Repudiamos toda e qualquer tentativa de transferência de responsabilidade pelo caos que se instala para os médicos estatutários ou terceirizados, que labutam apesar dos sucessivos atrasos salariais.

Consideramos um desrespeito para com os profissionais que enfrentam o estresse da linha de frente, trabalhando sobrecarregados, com deficiências persistentes por falta de materiais e medicamentos essenciais, comprometendo inclusive a própria saúde física e mental, em prol da profissão que escolheram.

Na condição de órgão fiscalizador, podemos afirmar, com toda convicção, que o principal fator responsável por uma produtividade aquém da necessária é a falta de condições para executar o trabalho. Esta não é de responsabilidade dos médicos e nem dos demais profissionais de saúde.

Por fim, o Cremern enfatiza que sempre esteve e continuará à disposição para discutir e auxiliar na solução dos graves problemas enfrentados pela saúde pública.

Tags: greve médicos Prefeitura do Natal
A+ A-