Presidente do Cremern defende uso da telemedicina somente em casos específicos

‘Existem princípios na assistência ao paciente que são inalienáveis’, diz Marcos Lima de Freitas.

Flávio Oliveira,
Fladson Soares/Nominuto.com
Presidente do Conselho Regional de Medicina, Marcos Lima de Freitas, concedeu entrevista para o jornalista Diógenes Dantas, no RN Acontece.

Uma resolução do Conselho Federal de Medicina publicada em fevereiro deste ano sobre a utilização da telemedicina no país causou polêmica sobre o exercício da profissão de maneira remota. A medida acabou sendo revogada pouco depois, mas um novo texto está sendo elaborado.

O assunto voltou a ser debatido nesta semana após uma das principais empresas de planos de Saúde do país, a Amil, lançar o serviço de atendimento médico por videoconferência, a despeito do CFM ter vetado consultas à distância.

O presidente do Conselho Regional de Medicina (Cremern), Marcos Lima de Freitas, concedeu entrevista para o RN Acontece nesta sexta-feira (12) e defendeu a prática somente para casos específicos. “Existem princípios na relação médico-paciente, na assistência ao paciente, que são inalienáveis. Você não pode abrir mão desses princípios, um deles é a consulta presencial”, disse.

CREM-H2

“Um dos argumentos que as empresas que estão praticando a telemedicina, inclusive as primeiras consultas, é que vão atender casos de baixa complexidade, mas a gente tem várias situações que podem surgir, onde a complexidade você não pode avaliar por telemedicina”, explicou Freitas.

O presidente do Cremern citou como exemplo casos em que uma simples tosse pode ser indício de uma pneumonia ou que uma queixa de dor na barriga pode indicar uma apendicite. “Esse tipo de assistência não pode ser desvinculado da presença de um médico. Você pode até em áreas remotas, onde não há determinados especialistas, um especialista ajudar um médico a tomar decisões, mas existe um médico próximo ao paciente. Mas a ligação direta entre o médico que faz a telemedicina com seu paciente por teleconferência e ali tomar decisões sem palpar o paciente, sem auscultar, sem tocar o paciente, a gente entende como medicina de alto risco”, advertiu.

Apesar das críticas, o presidente do Cremern diz que a tecnologia é bem-vinda para situações específicas, como emergências ou na ausência de um especialista. “Casos de urgência e emergência ou casos onde é impossível a presença do médico. Na própria resolução ela vai ter que contemplar essas situações específicas e dizer o que é permitido e o que não é permitido nessa prática. Hoje nós já temos grandes benefícios na prática médica”, ponderou.


Confira a entrevista na íntegra:


FO.

Tags: RN Acontece Saúde
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