Percebemos que havia um ‘mito social’, diz José Dantas sobre morte de adolescentes

Estudo da Coordenadoria da Vara da Infância e da Juventude revela que 96% dos jovens mortos não tinham processos na Justiça.

Flávio Oliveira,
Reprodução
Juiz da Vara da Infância e da Juventude, José Dantas de Paiva, concede entrevista para o jornalista Diógenes Dantas, no RN Acontece.

Um levantamento realizado pela Coordenadoria da Infância e Juventude do Judiciário potiguar (CEIJ) a respeito das mortes de crianças, adolescentes e jovens ocorridas durante o ano de 2018, contraria o estereótipo construído sobre o sujeito que tem sua vida cessada durante os períodos da infância ou juventude.

Em entrevista para o jornalista Diógenes Dantas, para o programa RN Acontece, na Band, o juiz da 1ª Vara da Infância e da Juventude, José Dantas de Paiva, disse que o estudo desmistifica uma compreensão social de que somente morrem jovens envolvidos com o crime. “A gente começou a perceber que havia um mito social. A sociedade pensava que todos esses adolescentes que estavam mortos eram adolescentes bandidos, infratores, criminosos, que eram ‘um a menos’. Nós começamos a mostrar que 96% desses adolescentes que morriam até 21 anos sequer tinham passado pelo sistema de Justiça”, esclareceu.

Os registros mostram que dentre os 730 óbitos ocorridos em 2018, apenas 3,8% referem-se a indivíduos que cumpriam medidas socioeducativas, enquanto que 96,2% das mortes representam aqueles que não possuíam processos na Justiça.

RN-HH

O número que desponta à frente nesse quadro é o de óbitos por condições de caráter violento, apontando que 417 jovens, entre 18 e 21 anos, tiveram suas vidas interrompidas em decorrência de deficiências públicas, sejam essas na área da saúde, educação, segurança ou assistência social.

O juiz da Vara da Infância e da Juventude, José Dantas de Paiva disse que estudo teve início após diversas buscas por adolescente com algum processo na Justiça e que estavam desaparecidos. “Nós começamos a fazer esse trabalho com o objetivo de identificar e localizar alguns adolescentes que tinham sumido”, disse.

O magistrado alerta que as mortes prematuras contabilizadas durante esse período, apontam a necessidade de elaboração de políticas públicas. “Esses dados revelam várias situações. Sociais, na área de violência, ausência de políticas públicas, de prevenção nessa área”, explicou.

“Tem que ser uma ação articulada. Não só do do Judiciário, do Ministério Público, Defensoria Pública, na área do sistema de Justiça, mas especialmente de quem tem a obrigação e o dever de promover políticas públicas. Primeiro, como órgão articulador, o Executivo Municipal, Estadual. Depois, a própria sociedade civil organizada tem que participar dessa articulação, porque ela tem o compromisso social também. E as próprias famílias têm que ficar atentas à essa situação. Tem que investir em educação”, elencou o juiz.


Confira a entrevista na íntegra:


FO.

Tags: José Dantas de Paiva Justiça RN Acontece
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