Cortes na UFRN representam R$ 60 milhões a menos no orçamento

Segundo a reitora da instituição, Ângela Paiva Cruz, ano letivo está comprometido.

Fátima Elena Albuquerque,
Reprodução
De acordo com a reitora da UFRN, Ângela Paiva Cruz, países que se desenvolveram, fizeram forte investimento em educação.

Com o bloqueio anunciado pelo governo federal, o ano letivo da UFRN está comprometido. A avaliação é da reitora da instituição, Ângela Paiva Cruz. Na quinta-feira (16), representantes da Associação dos Reitores das Universidades Federais (Andifes) estiveram reunidos com o ministro da Educação, Abraham Weintraub e com o secretário executivo do MEC, Ricardo Machado Vieira, que não voltaram atrás nos cortes anunciados. Eles afirmaram que cada caso será tratado individualmente.

No caso da UFRN, a reitora explicou que houve um corte de 33% do custeio (orçamento destinado à manutenção e funcionamento da universidade) e no capital, que é o que vai para a compra de equipamentos, livros e obras, foram cortados 44%. “Quando somamos os dois valores, ou seja, R$ 48 milhões mais R$ 12 milhões, chegamos a R$ 60 milhões bloqueados do orçamento geral”, destacou Ângela Cruz.

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Ela explicou que a diferença do contingenciamento para o bloqueio/corte é que no primeiro caso há um controle das despesas com interferência do governo, entretanto, todo o orçamento é liberado, mesmo que isso ocorra de forma mais lenta. Já em relação ao bloqueio/corte, os valores deixam de ser repassados e o crédito fica indisponível, o que inviabiliza muitas ações administrativas, como é o caso de uma licitação. “No contingenciamento, durante o ano, o orçamento aprovado pela lei orçamentária se mantém nos nossos sistemas e as universidades vão recebendo prestações paulatinas – mês a mês ou a cada dois meses – e no final do ano, o contingenciado é totalmente liberado”, afirmou.

A reitora lamentou as declarações dadas pelo presidente da República, Jair Bolsonaro, chamando os manifestantes contra os cortes na Educação de “idiotas úteis” e “massa de manobra”. “Quem estava nas ruas na quarta-feira eram pessoas que entendem de educação e defendem esse patrimônio. Os países que se desenvolveram, fizeram forte investimento em educação e isso não pode cessar”. Para Ângela Cruz, os manifestantes não estavam apenas reivindicando um direito, mas assumindo a responsabilidade de defender a educação.
Confira a entrevista:


FS.

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