Veja: Toffolli confirma reunião com autoridades contra movimento para afastar Bolsonaro

Para evitar crise institucional, presidente do Supremo se encontrou com Maia, Alcolumbre e militares.

Da redação,

VEJAVEJA

Exclusivo | Poder Supremo

Em entrevista a Veja, Dias Toffoli fala sobre a ambiciosa pauta que o STF enfrentará até o fim do ano, o papel moderador exercido pelo tribunal num momento de grande insatisfação com Jair Bolsonaro e os excessos da Lava-Jato

Em entrevista a Veja, o ministro Dias Toffoli confirmou que o Brasil esteve à beira de uma crise institucional entre os meses de abril e maio — e disse que sua atuação foi fundamental para pôr panos quentes numa insatisfação que se avolumava. Toffoli não deu muitos detalhes, mas a combinação explosiva envolvia uma rejeição dos setores político e empresarial e até de militares ao presidente Jair Bolsonaro. O cenário, de fato, era preocupante naquele momento.

No Congresso, a reforma da Previdência, a principal e mais importante bandeira econômica da atual administração, não avançava. O governo, por sua vez, acusava os deputados de querer trocar votos por cargos e verbas públicas. O impasse aumentou quando um grupo de parlamentares resolveu tirar da gaveta um projeto que previa a implantação do parlamentarismo. Se aprovado, Bolsonaro seria transformado numa figura meramente decorativa, um presidente sem poder.

Em paralelo, vazamentos atribuídos ao Ministério Público mostravam que a investigação sobre o senador Flávio Bolsonaro, o Zero Um, tinha potencial para gerar mais constrangimentos e desgastes do que se supunha no início. A família presidencial teria se beneficiado da chamada “rachadinha”, um artifício ilegal empregado por políticos para embolsar parte dos salários de seus funcionários.

Simultaneamente, uma ala do Exército começou a discutir a incapacidade do presidente de governar, enquanto outra, mais radical e formada por militares de baixa patente, falava em uma sublevação contra as “instituições corruptas”. Um dos generais próximos ao presidente chegou a consultar um ministro do Supremo para saber se estaria correta a sua interpretação da Constituição segundo a qual o Exército, em caso de necessidade, poderia lançar mão das tropas para garantir “a lei e a ordem”. Em outras palavras, o general queria saber se, na hipótese de uma convulsão, teria autonomia para usar os soldados independentemente de autorização presidencial.

Leia mais em Veja.


ISTOEISTOÉ

“Está claro que o objetivo é soltar Lula”

Sergio Moro volta ao centro dos holofotes no momento em que é alvo de setores do Judiciário e do próprio governo. Em entrevista à ISTOÉ, ele mantém a serenidade que o consagrou, diz que não atua com viés partidário e garante foco no trabalho à frente do Ministério da Justiça

Sergio Moro comemorou 47 anos no último dia 1º, mas nem tudo são flores e festas na vida do ministro da Justiça e Segurança Pública. Hoje, como quando esteve à frente da Operação Lava Jato, ele está novamente no centro dos holofotes. É o homem da vez. Só que diferentemente do período em que tomou posse como o principal ministro de Jair Bolsonaro, Moro experimenta um dos momentos mais delicados da carreira. É alvo preferencial de grupos do Poder Judiciário — leia-se STF —, por ter contrariado poderosos e inconfessáveis interesses, e vítima de fogo-amigo até mesmo dentro do Palácio do Planalto, por razões que nem a nossa vã filosofia pode imaginar.

No final da semana, a República parecia girar em torno dele. Foi criticado por cometer deslizes semânticos, ao declarar que os homens recorriam à violência contra as mulheres por se sentirem intimidados por elas, virou manchete de todos os sites ao encaminhar um documento ao ministro Luiz Fux em que repetia o que disse em entrevista exclusiva à ISTOÉ, ou seja, que jamais houve qualquer determinação para destruição do material colhido com os hackers presos pela PF, e chegou a ser admoestado pelo próprio presidente da República, ao discorrer sobre o projeto anticrime em tramitação no Congresso.

O homem é ele e suas circunstâncias, já dizia o filósofo espanhol Ortega y Gasset. Por mais que ele tente manter a fleuma habitual, são as circunstâncias que fazem de Sergio Moro o personagem da semana. Para o bem e para o mal.

Leia mais em Istoé. 


EPOCAÉPOCA

Dallagnol fala: “Eu não devo , e a Lava Jato não deve”

Procurador do MPF reconhece ter falado sobre impeachment de Gilmar Mendes e diz que talvez tenha sido 'ilusão' acreditar que Justiça venceria sistema político

Ameaçado de afastamento, o procurador Deltan Dallagnol, coordenador da força-tarefa da Operação Lava Jato, afirmou em entrevista a Época que o “rolo compressor político quer o retrocesso”. Resume numa frase: “A corrupção reage”.

Aos 39 anos, o protagonista da operação no Ministério Público Federal enfrenta o momento mais crítico em cinco anos de Lava Jato.

"Ninguém jamais nos disse que seria fácil enfrentar pessoas poderosas que praticaram crimes gravíssimos contra nosso país. Ninguém jamais nos prometeu isso. Fizemos nosso papel e agora enfrentamos uma reação. Nossa expectativa é que as instituições e a sociedade protejam o trabalho feito e impeçam retrocessos. Eu não devo, e a Lava Jato não deve."

Dallagnol negou ter investigado ministros do STF, como sugerem algumas das mensagens de seu Telegram, que vem sendo publicadas há dois meses. Confirmou, entretanto, ter tratado com seus colegas sobre a pertinência de pedir o impeachment de Gilmar Mendes : "Estudamos se os atos dele configurariam, para além de atos de suspeição, infrações político-administrativas". Também admitiu ter discutido a criação de uma empresa para gerir suas palestras e que ele não ficaria na administração do negócio. Frisou que, se o tivesse feito, estaria seguindo a lei.

Leia mais em Época.


CARTACARTA CAPITAL

A devastação do Brasil

A destruição da Amazônia e a negação da ciência pelo governo Bolsonaro assombram o mundo.

No editorial de Mino Carta: O acaso da Bardella. O pavoroso significado do destino de uma grande empresa

Paulo Nogueira Batista Jr.: O Brasil em perigo. O País precisa tratar dos temas ligados ao meio ambiente, vitais para nós e para o resto do mundo, com espírito crítico, seriedade e competência profissional

Em Seu País, por Thais Reis Oliveira: A lucrativa fábrica de marginais. Palco de repetidos massacres e berço de facções criminosas, o sistema prisional avança pelo controverso caminho da privatização

Economia, por André Calixtre: O caçador de ilusionistas. Em Previdência: O debate Desonesto, Eduardo Fagnani expõe falácias da reforma das aposentadorias
Guilherme Boulos: Em memória de Sylvio Frota. Os herdeiros do general linha-dura demitido por Ernesto Geisel chegaram ao poder, incluídos Bolsonaro e seu ministro Augusto Heleno

Em Q/I: O sexo e a lei. O que é obsceno? O que é erótico? Ecos de um debate que seis décadas atrás acabou por libertar a literatura e a arte da sanha dos moralistas (em países avançados)

Leia mais em Carta Capital

Tags: Carta Capital Época Istoé revistas semanais Veja
A+ A-