Veja: Polarização ideológica chega ao Oscar com "Democracia em Vertigem"

Indicação de Petra Costa e seu filme à estatueta de documentário leva o drama nacional aos holofotes em Hollywood.

Da redação,

veja1VEJA

Hollywood fica ali bem perto

Indicação de Petra Costa e seu filme à estatueta de documentário leva o drama nacional aos holofotes em Hollywood — e pela óptica peculiar e irreal do PT

Nos meses que antecederam o afastamento de Dilma Rousseff da Presidência da República, em abril de 2016, o Congresso Nacional viveu o tumulto natural de um impeachment. Em meio à algaravia, deputados e senadores tinham de lidar com uma tensão adicional: a presença de equipes de documentaristas. Vários produtores competiam por material para diferentes filmes sobre o processo que mudaria o rumo do país. Mas quem se destacava era uma moça inquieta — e obsessiva: a cineasta mineira Petra Costa. Ela enlouquecia os políticos e até sua equipe com determinações como gravar na íntegra as sessões do impeachment.

Petra contava com a simpatia explícita dos petistas e montou seu QG nos gabinetes dos então senadores Lindbergh Farias (RJ) e Gleisi Hoffmann (PR). Mas, no outro lado da Praça dos Três Poderes, teve de suar para convencer Dilma, personagem principal da opereta, a abrir-lhe as portas do Palácio da Alvorada. É uma ironia que Dilma, ao menos de início, tenha sido refratária ao filme. Na segunda-feira (13), quando Democracia em Vertigem foi indicado ao Oscar de documentário, a polarização brasileira ganhou os holofotes mundiais — e é com sua narrativa favorável à ex-presidente que o país irá ao prêmio máximo do cinema, em 9 de fevereiro.

Lançado em 190 países em junho passado, Democracia em Vertigem provocou, de imediato, reações extremadas por aqui. Os apoiadores de Lula e de Dilma sentiram-se de alma lavada: o filme é o lamento de uma mulher que viu os sonhos políticos de sua geração (ela hoje tem 36 anos) desabar com a derrocada do PT. O enredo corrobora a versão, tão alardeada pelo partido, de que o impeachment “foi golpe”. No lado oposto ficaram aqueles que enxergaram no impeachment a libertação do país da corrupção sistêmica dos doze anos do PT, exposta pela Operação Lava-Jato. Para essa massa de brasileiros, Democracia em Vertigem é um exercício vitimista apoiado numa visão convenientemente ilusória dos fatos.

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istoe1ISTOÉ

"Imprecionante" a queima da educação no Brasil

O governo Bolsonaro promove a ignorância, decide jogar três milhões de livros didáticos no lixo e demonstra aversão ao conhecimento. Junto com o ministro Abraham Weintraub, traz pessimismo para o futuro do ensino no País.

A descoberta de que há 2,9 milhões de livros didáticos acumulados e alimentando traças em um galpão alugado pelos Correios em Cajamar, na região metropolitana de São Paulo, foi chocante. Mais terrível ainda foi a primeira reação do Ministério da Educação (MEC), que ameaçou descartá-los sumariamente num processo que classificou com a rebuscada frase (quem sabe a merecer um latim) “desfazimento de livros inservíveis”.

Destruir livros é algo típico de regimes autocratas e períodos de trevas. Os nazistas, por exemplo, começaram a queimá-los em 1933. Obras que não estavam de acordo com suas ideias obscurantistas iam para o fogo. A ditadura militar brasileira também fez isso: em 1977, queimou três toneladas de produtos culturais em um forno instalado no Aeroporto Internacional de Brasília.

Agora, o Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), órgão do Ministério, divulgou uma nota informando que, antes do descarte das obras de Cajamar, haverá uma análise para descobrir o que deve ou não ser aproveitado. Seja como for, o caso demonstra que as intenções do atual governo em relação à educação e ao conhecimento são incendiárias. O presidente Jair Bolsonaro age com displicência e dá sinais claros de que não gosta de livros, sejam didáticos ou qualquer obra que contenha “letras demais” — letrinhas, para ele, talvez só na sopa em forma de macarrão.

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epocaÉPOCA

"Bolsonaro foi ruptura, mas a democracia se fortaleceu"

Dias Toffoli diz que não se considera "alinhado" ao governo e que o presidente "respeita o Supremo"

Apesar da turbulência, o ministro José Antonio Dias Toffoli inicia seu segundo ano na presidência do Supremo Tribunal Federal (STF) sagrando-se um articulador, o que pode ser percebido na boa relação que vem nutrindo com os dois outros vértices da Praça dos Três Poderes. O magistrado encontrou na pauta econômica um módulo de convergência com o Legislativo e o Executivo e desenvolveu um método peculiar de pacificação: anunciar a pauta da Corte com bastante antecedência. Assim, oferece tempo adicional não só para que os colegas preparem o voto, mas também para que os outros atores da política se movimentem em torno do assunto.

Esse traço conciliador, contudo, entrou em rota de colisão com decisões súbitas e inesperadas tomadas pelo ministro. Toffoli catapultou o Supremo ao centro das discussões quando decidiu acatar o pedido da defesa do senador Flávio Bolsonaro sobre o acesso de órgãos de investigação a informações confidenciais sobre movimentações suspeitas, como aquelas produzidas pelo Coaf. Poucos meses antes, havia atraído todos os holofotes para a Corte ao decidir, de ofício, abrir um inquérito para investigar ameaças recebidas por ministros sem a participação da Procuradoria-Geral da República — que só teve acesso aos autos no final do ano passado.

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cartaCARTA CAPITAL

Moro na mira

Duelo à vista: encarado como candidato em 2022 por setores do Congresso,militares e mídia, o ministro incomoda Bolsonaro.

Economia: Enquanto o governo e o mercado financeiro celebram um crescimento medíocre, a informalidade explode e trava a recuperação do PIB.

Misoginia: Como celibatários, machistas e outros ressentidos, aliados à milícia bolonarista perseguem mulheres na internet.

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