Veja mostra que folia de carnaval será a mais política dos últimos anos

Temperatura promete subir contra o conservadorismo e os arroubos autoritários do governo.

Da redação,

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O carnaval da resistência

Exageros verbais e o conservadorismo das alas evangélica e ideológica do governo alimentam os protestos dos foliões nos blocos e avenidas. A festa de 2020 será a mais política dos últimos anos

Carnaval é sinônimo de entrega aos prazeres profanos e de liberdade de expressão. Durante os quatro dias de folia e brincadeira, a crítica social e a sátira política ecoam nas marchinhas que movem os blocos de rua e, com mais esplendor, nos sambas-enredo das escolas de samba. Nesse quesito, o Carnaval de 2020 será, definitivamente, mais exaltado do que aquele que passou (o qual, por sinal, já entoava um coro considerável de insatisfações).

Os destemperos da chamada ala ideológica do governo e, mais ainda, a grosseria inaceitável, disfarçada de sinceridade, do presidente Jair Bolsonaro — como o insulto a uma jornalista que “queria dar o furo (pausa para risadas da claque) a qualquer preço” — são matérias-primas para resposta. Bolsonaro disse o que quis e, nos próximos dias, talvez vá ouvir o alarido da boca do povo ofendido com as estultices. Agora, como nunca, a maior festa do país ganhou ares de uma imensa passeata, alimentada pelos arroubos verborrágicos do atual ocupante do Planalto e de membros de sua equipe. Não seria exagero dizer que a folia deste fevereiro bissexto dançará ao ritmo da resistência.

No Sambódromo do Rio de Janeiro, onze das treze escolas de samba do Grupo Especial exibirão enredos com críticas aos governantes, ao racismo, ao machismo, ao preconceito — enfim, contra tudo isso que está aí. “É o resultado de sentimentos que vêm sendo fermentados ao longo dos últimos anos e que agora, em meio a uma festa dessa dimensão, extravasam”, avalia o sociólogo e cientista político Antonio Lavareda.

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ISTOÉ

Basta!

Ao fazer menções abjetas de conotação sexual contra a jornalista Patrícia Campos Mello, Bolsonaro volta a dar demonstrações inequívocas de que fere o decoro e a liturgia do cargo que ocupa. De acordo com a Constituição, o chefe de Estado já forneceu caudalosos motivos para abertura de processo de impeachment. Cabe agora aos demais poderes o papel e o dever de investigar e julgar a conduta do inquilino do Planalto

O nome dessa lei é uma sentença definitiva para Bolsonaro: “Lei do Impeachment”. Está nas mãos do Congresso Nacional, portanto, mostrar que o Brasil não é uma republiqueta de bananas – nem de banana fruta, conforme querem aqueles que desprezam o nosso País, nem de banana obscena dada com os braços como o presidente vem fazendo e ofendendo os repórteres em entrevistas coletivas. Está, sim, nas mãos do Congresso Nacional a obrigação de abrir imediatamente um processo de impeachment contra o mandatário, o que na verdade passou a ser dever dos parlamentares, investidos de mandato popular para tutelarem a constitucionalidade e o decoro daqueles que representam os poderes republicanos – só é preciso que uma denúncia seja regimentalmente recebida pela Câmara dos Deputados para o processo começar a andar.

Bolsonaro repete dia após dia, semana após semana, mês após mês, atitudes e palavras desprovidas de ética e que se coadunam com “crime de responsabilidade” — crime que teve início com o episódio do golden shower, no Carnaval passado, atravessou todo o primeiro ano de gestão e chegou ao Carnaval de agora. A única diferença é que o nível foi caindo cada vez mais. Que faça ele o seu vexatório e particular show dançando com o prefeito do Rio de Janeiro, Marcelo Crivella, como se viu recentemente. Mas nos poupe de suas baixarias. Basta!

O presidente, indiscutivelmente, já ultrapassou todos os limites da civilidade e da urbanidade em diversas de suas relações com a mídia, e tanto é assim que pesquisa da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) aponta que ele responde por 58% dos ataques verbais feitos contra a imprensa em 2019. Quando se julga, no entanto, que alguém já chegou ao mais baixo patamar da abjeção e torpeza, descobre-se que ainda há o porão. Na semana passada, Bolsonaro fez mais que enxovalhar a reputação de uma mulher, de uma repórter e de um ser humano. Ele difamou Patrícia, do jornal “Folha de S. Paulo”, e se colocou literalmente na linha do impeachment. Ultrajou, como jamais se viu na história do Brasil, a liturgia do cargo de presidente da República. Senhores congressistas, façam a parte que lhes compete por dever de ofício: o presidente tem de ser mandado para casa.

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ÉPOCA

Quebrando a banca

O lobby a favor da legalização dos jogos aposta alto

Passados quase 74 anos depois da publicação do decreto que extinguiu o jogo em todo o território nacional, e depois de muitas voltas na roda da fortuna, as portas dos cassinos nunca estiveram tão perto de ser reabertas no país, escancaradas por um movimento liderado por empresários do jogo, parlamentares e integrantes da cúpula do Executivo. Até o ministro da Economia, Paulo Guedes, já manifestou a pessoas próximas ser favorável à reabertura desse tipo de estabelecimento em resorts: ele tem dito que o Brasil tem todas as condições de abrigar os empreendimentos, impulsionando assim o turismo de luxo.

A posição também é publicamente defendida pelo presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM), e tem apoio do ministro do Turismo, Marcelo Álvaro Antônio, e do presidente da Embratur, Gilson Machado — nome em alta no clã Bolsonaro e que lançou um plano mirabolante para alavancar o turismo no país, que apela a Sharon Stone e a aventuras de Mickey e Minnie pelo Brasil. A pressão também alcançou o presidente Jair Bolsonaro. Um assessor direto do presidente afirmou que ele tem, agora, uma visão favorável à regularização dos cassinos.

A suposta posição de Bolsonaro ganhou força depois da ida do senador Flávio Bolsonaro (sem partido) para Las Vegas e Miami, no mês passado. Flávio reuniu-se com representantes do setor, como o fundador do grupo Las Vegas Sands, Sheldon Adelson, que já manifestou publicamente o interesse em abrir cassinos integrados a resorts no Brasil. Também integraram Gilson Machado, da Embratur, o senador Irajá Abreu (PSD-TO) e o deputado federal Hélio Lopes (PSL-RJ), além do lutador de MMA Vitor Belfort, embaixador do turismo do Brasil.

“Que alegria poder saber que em nosso corpo diplomático tem pessoas tão incríveis, competentes e de mente aberta. Um grande prazer discutir o futuro do Brasil com nosso cônsul-geral em Miami, embaixador João Mendes Pereira. Estamos juntos trabalhando para um novo Brasil!”, postou Belfort em seu perfil no Instagram, em 21 de janeiro. A avaliação do grupo que viajou é a de que, se o país for capaz de montar um projeto “conservador”, e que feche as portas à lavagem de dinheiro, uma das principais críticas à legalização dos jogos, a opinião pública pode abraçar a ideia.

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CARTA1


CARTA CAPITAL

Pra tudo se acabar na quarta-feira

- Especial Semana de Carnaval: A greve dos petroleiros, arquivamento da denúncia de Wajgatren, a investigação da morte do ex-PM Adriano da Nóbrega.

- E mais: "O vexame do antropólogo dos ruralistas", a concentração do coronavírus na China, a desvalorização do real em relação ao dólar.

- Um país de foliões: O termo folia origina-se do italiano follia, que significa loucura.

- Estado de exceção e estado de carnaval: "Não podemos deixar que esse momento catártico favoreça a apatia e a escravidão voluntária.

- Fantasias de liberdade: Como os foliões engajados protestam no Rio de Janeiro, antes de durante a folia.

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