Veja mostra como o Brasil se organiza para combater a ameaça do coronavírus

Com a revelação do primeiro caso, as autoridades se mexem para evitar o pânico.

Da redação,

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Coronavírus no Brasil: como o país se organiza para combater a ameaça
Com a revelação do primeiro caso, as autoridades se mexem para evitar o pânico. A boa notícia: há conhecimento e preparo para impedir um mal maior.

Desde que um paciente de 61 anos, que mora em São Paulo e foi à Itália para trabalhar, teve o diagnóstico confirmado para a infecção do coronavírus, o nível de alerta das autoridades da saúde se elevou. O idoso passa bem e segue isolado e em monitoramento em casa.

Na sexta-feira (28), o Ministério da Saúde atualizou o panorama do novo coronavírus no país. São atualmente 182 casos suspeitos da doença sob investigação. Até a última quinta (27), eram 132 casos. Trata-se do maior número registrado desde que o vírus começou a ser monitorado no país.

O governo federal anunciou a distribuição de equipamentos de proteção individual, como máscaras e luvas, além de aparelhos de suporte ventilatório e medicamentos antigripais, à medida que novos episódios forem confirmados — e não é difícil que surjam. As regiões urbanas do país já se organizam para liberar leitos e deslocar médicos especializados, algo que, como era de esperar, funciona melhor nos estados mais ricos que nos mais pobres. O governo de São Paulo anunciou, logo depois da ocorrência inicial, a criação de um centro de contingência para coordenar ações contra a propagação do coronavírus. Uma das primeiras medidas será isolar leitos de hospitais públicos e privados para receber even­tuais pacientes infectados. Haverá também medidas de proteção a profissionais de saúde e acompanhamento rigoroso do fluxo de entrada de pessoas no sistema de atendimento hospitalar.

O que há por trás da nova crise entre Bolsonaro e o Congresso

O presidente Jair Bolsonaro, seus filhos e alguns de seus principais auxiliares acalentam um perigoso, grave e reprovável hábito: o de testar as instituições. Durante a campanha eleitoral, Eduardo Bolsonaro, que se tornaria o deputado federal mais votado da história, declarou que bastariam um cabo e um soldado para fechar o Supremo Tribunal Federal (STF). Desde então, o Judiciário vive acossado por bolsonaristas radicais, que fazem até ameaças de morte, nas redes sociais, a ministros do STF. A relação com o Legislativo não é diferente. Antes do Carnaval, o general Augusto Heleno, chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), acusou congressistas de chantagem e exortou o governo a enfrentá-los. “Foda-se”, esbravejou Heleno, sem saber que sua fala vazava pelos microfones do Planalto. Na semana passada, mais uma demonstração de pouco apreço aos outros poderes. Dessa vez, do próprio Bolsonaro.

Durante o feriado, o presidente encaminhou a algumas pessoas, por meio do aplicativo WhatsApp, um vídeo conclamando “o povo” a participar de ato que, além de defendê-lo, tem o objetivo de atacar o Congresso. Marcada para o próximo dia 15, a manifestação é uma reação à intenção de deputados e senadores de derrubar o veto presidencial ao projeto que aumentou a quantidade de recursos da União controlados pelos parlamentares. Briga-se, portanto, por dinheiro e, com ele, pelo poder de agradar aos eleitores. O vídeo encaminhado por Bolsonaro lembra do atentado a faca que sofreu, fala de sua alegada luta contra uma esquerda “corrupta” e diz que é chegada a hora de a população retribuir a dedicação dele ao país. O problema não está apenas no conteúdo do filme, mas no que o presidente escreveu ao distribuir a peça. Ele não só fez referência à dupla “general Heleno e capitão Bolsonaro”, em sinal de que chancela as críticas de seu ministro aos “chantagistas” do Congresso, como arrematou: “O Brasil é nosso / Não dos políticos de sempre”. Estava semeada a crise da vez.

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O que o novo coronavírus reserva ao Brasil?
Não há motivo para pânico com a chegada do vírus, mas fatores que vão do calor do verão à eficácia do sistema de saúde podem definir o tamanho do problema.

Se 300 pessoas forem infectadas com o novo coronavírus, até sete podem morrer. A taxa de mortalidade da infecção, de 2,3% segundo o único grande estudo sobre isso até agora, é similar à da gripe espanhola de 1918, que matou 50 milhões de pessoas — no Brasil e em outros países, todo mundo que sobreviveu conhecia alguém que morreu. A comparação pode parecer catastrofista, e ainda não há motivo para pânico, mas serve de alerta para comprovar que a nova epidemia não se trata de “apenas mais uma gripe”. Mesmo nos invernos mais rigorosos e nas crises mais graves, os diversos tipos de gripe matam em torno de 0,1% dos infectados, o que significa que o novo coronavírus é ao menos 20 vezes mais letal.

Nos últimos dois meses, o mundo também aprendeu que o novo coronavírus se espalha em altíssima velocidade. Desde que a China alertou a Organização Mundial da Saúde (OMS) sobre um tipo fora do comum de pneumonia na cidade de Wuhan no dia 31 de dezembro de 2019, foram confirmados quase 80 mil casos no país. Todo o esforço para conter a doença não evitou que ela chegasse até agora a 47 países, de todos os continentes.

A preocupação que já afligia boa parte do planeta, da Europa ao Irã, dos Estados Unidos ao Japão, ganhou contornos locais na última terça-feira, quando foi confirmada a chegada do primeiro caso de coronavírus ao Brasil, o primeiro na América Latina. Um empresário de São Paulo, de 61 anos, que tinha viajado a trabalho para a região da Lombardia, no norte da Itália, país que já registrou mais de 400 casos e 14 mortes, foi diagnosticado com a doença.

Para entender o tamanho do problema e quais os riscos correspondentes, ÉPOCA ouviu alguns dos mais renomados especialistas do país a fim de traçar os cenários possíveis do avanço da doença por aqui, do mais otimista ao mais caótico.

Ex-capitão do Bope promoveu aliança entre milicianos e bicheiros
À frente do Escritório do Crime, Adriano da Nóbrega avalizou nos últimos anos tomadas de poder em ao menos duas escolas de samba, Salgueiro e Vila Isabel.

O jogo do bicho domina as escolas do Carnaval no Rio de Janeiro, e desde que o samba é samba é assim. Mas, nos últimos anos, vem ganhando corpo uma aliança inédita dessa ala da contravenção com outra instituição carioca do crime, as milícias, como sinaliza um assassinato na madrugada de terça-feira, quando a Marquês de Sapucaí ainda vibrava com a passagem das escolas de samba no segundo dia de desfiles. Alcebíades Paes Garcia, o Bid, irmão do bicheiro Maninho (ele próprio assassinado, em 2004), foi morto a tiros na Barra da Tijuca, depois de assistir ao desfile do Salgueiro, escola cujo controle é disputado por sua família.

O crime é mais um capítulo de uma longa e sangrenta guerra entre os bicheiros pelo controle territorial de áreas do Rio, e pelo consequente domínio dos pontos de apostas ilegais e de distribuição de caça-níqueis. Mas agora com um ingrediente inédito: a associação com as facções de assassinos de aluguel formadas por milicianos, das quais a mais famosa é o Escritório do Crime.

Essa nova configuração da cúpula das escolas de samba foi liderada por um personagem de renome nacional, o ex-capitão do Bope Adriano Magalhães da Nóbrega, um dos chefes da milícia de Rio das Pedras, na Zona Oeste da cidade, e morto há duas semanas pela Polícia Militar baiana em uma operação ainda nebulosa.

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Bolsonaro contra a República
O presidente cria um acirrado confronto com o Congresso Nacional e o Supremo Tribunal Federal.

“Vivandeiras alvoroçadas” era a forma como o marechal Humberto de Alencar Castelo Branco, primeiro ditador do regime militar que se apossou do poder no Brasil em 1964, costumava definir os civis que batiam à porta das casernas sempre que queriam promover uma ruptura institucional ou enxovalhar o Congresso Nacional. Agora, sob o desgoverno do presidente da República Jair Bolsonaro, sob o ataque às instituições e sob a reincidência de crimes de responsabilidade por ele cometidos, pode-se dizer que são alguns militares que se alvoroçam em vivandeiras e ferem os sustentáculos constitucionais da democracia e do Estado de Direito.

São nostálgicos da lama, e seus objetivos mantêm-se os mesmos: criar, cada dia mais, um acirrado confronto com a Câmara dos Deputados, Senado e Supremo Tribunal Federal, porque é nesse clima de instabilidade política e anomia social que se pavimenta o maldito caminho que, deliram eles, pode levar ao golpe de Estado e à perpetuação no poder — não foi outra, por exemplo, a política populista na Venezuela, e hoje sabemos do abismo em que ela despencou. O presidente Bolsonaro, há tempo, vem testando limites. Dessa vez, no entanto, extrapolou. Nenhum outro governante jamais foi tão ousado como o capitão da reserva o foi na semana passada.

Jair Bolsonaro, representante máximo do Poder Executivo nacional, disparou de seu celular uma mensagem na qual conclama a população a protestar contra os congressistas. Ele se defende, alegando que enviou a tal mensagem a amigos. Pois bem, para amigos o presidente pode mandar, por exemplo, comentários sobre futebol. Mas, como mandatário, jamais poderia encaminhar o que encaminhou, com o Hino Nacional feito trilha sonora: “-15 de março. Gen Heleno / Cap Bolsonaro. O Brasil é nosso. Não dos políticos de sempre”. Tem mais: “Ele foi chamado a lutar por nós (…), ele quase morreu por nós. Ele está enfrentando a esquerda sanguinária e corrupta”. É importante observarmos que, o “15 de março”, do início do texto, é a data da manifestação que bolsonaristas e a extrema-direita golpistas marcaram para protestar contra o Parlamento e o STF – e as convocatórias criminosamente propõem o fechamento de ambos e a volta do famigerado AI-5 da ditadura. Qualquer cidadão é livre para protestar contra quem quiser, mas Bolsonaro, como chefe do Executivo, não pode ter o seu nome ligado a atos contra os demais poderes republicanos.

'Não é necessário que as pessoas entrem em pânico', diz Luiz Henrique Mandetta
Ministro da Saúde diz que Brasil está preparado para que o coronavírus não se propague.

O ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, teve um Carnaval agitado. Na terça-feira (25), surgiu a informação de que o primeiro caso de coronavírus havia sido confirmado em São Paulo: um homem de 61 anos, vindo da Itália, era portador do vírus que ataca o sistema respiratório. O caso foi atendido no Hospital Albert Einstein, na segunda-feira. A pessoa infectada esteve na Lombardia, região da Itália atingida pela epidemia. Ela chegou com febre, tosse seca e dor de garganta. O hospital suspeitou tratar-se do coronavírus e o submeteu ao exame, confirmando a doença. Feita a contraprova no Instituto Adolf Lutz, não restou dúvidas de que o vírus havia chegado ao Brasil. O homem está se tratando em casa, onde ficará isolado por 14 dias, mas todas as pessoas com as quais teve contato, as que estavam no voo com ele e membros de sua família, serão monitoradas. As autoridades dizem estar preparadas para que o vírus não se propague. Afinal, em um mundo globalizado, sua chegada era uma questão de tempo. “Não é necessário que as pessoas entrem em pânico”, disse Mandetta à ISTOÉ. “Elas devem informar imediatamente caso tenham sintomas, para que o Brasil possa se proteger”.

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Bolsonaro vai à guerra
A hipocrisia das Forças Armadas e a agitação nas Polícias Militares impulsionam a cruzada ensandecida do Presidente contra "o inimigo interno". Vem do Ceará uma lição de resistência...

Economia
Vendedor de ilusões, Paulo Guedes agora tenta convencer os incautos que a disparada do dólar é um sucesso.

Coronavírus
Atingida de forma agressiva pela moléstia, a Itália age com rigor extremo para conter a epidemia que assombra o mundo.

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