Veja mostra ascensão e queda do PT

Escândalos de corrupção e condenação do maior líder do partido trazem fim melancólico ao partido.

Da redação,

VEJA1Veja

Ascensão e queda do PT
Já se falou muito da trajetória do PT no poder, mas seu diferencial não foi adotar o fisiologismo remunerado: foi organizá-lo, ampliá-lo e monopolizá-lo.

Todo partido tem um projeto de poder. O do PSDB era ficar pelo menos vinte anos no governo. O do PT, um pouco mais ambicioso, almejava trinta anos. Ao concluir seu segundo mandato como presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva estava convencido de que alcançaria esse objetivo porque, segundo ele, sua gestão promovera um ciclo consistente de desenvolvimento com inclusão social.

Contudo, as sucessões de escândalos de corrupção que abalaram as estruturas do partido interromperam a projeção de Poder, que agora chega ao ápice com a condenação e eventual prisão de seu maior líder.

O PT sem sua estrela em 2018
Durante anos, Lula não deixou nenhum nome do partido ofuscar sua liderança. Agora, com ele fora do jogo, o PT sofre para encontrar um candidato.

A senadora Gleisi Hoffmann chegou ao Congresso em 2010 com o expressivo apoio de 3,1 milhões de paranaenses. Atual presidente do PT, ela já ocupou a cobiçada cadeira de ministra da Casa Civil. Mas, transcorridos oito anos e cinquenta fases da Operação Lava-Jato, a parlamentar personifica a penúria eleitoral de seus pares de legenda. “Hoje não consigo me eleger nem síndica de prédio”, sentenciou, durante uma reunião de bancada, no fim do ano passado. A frase dá a dimensão da encruzilhada em que se encontram Lula e seus correligionários desde a última quarta, dia 4, quando o Supremo Tribunal Federal abriu as portas da cadeia para o ex-presidente. Independentemente do que venha a acontecer do ponto de vista jurídico, um dado é certo: o partido da estrela vermelha caminhará para a eleição deste ano sem o seu nome mais importante.

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ISTOE1Istoé

A prisão do demiurgo de Garanhuns
Lula transforma ordem para se entregar num espetáculo deprimente de afronta à Justiça, ao refugiar-se num QG sindical em São Bernardo do Campo e montar um cordão humano para impedir o acesso da PF ao local. Tudo para adiar o inevitável: a ida para trás das grades.

A esperança venceu a corrupção
A prisão de Lula constitui um divisor de águas no País ao demonstrar que ninguém paira acima da lei. A sociedade espera, agora, que novas práticas embalem a política nacional, a Operação Lava Jato ganhe força e que mais poderosos corruptos tenham o mesmo destino do ex-presidente petista: a cadeia.

A lei dos presos comuns… e dos incomuns
Enquanto a maioria dos condenados ao cárcere cumpre suas penas em celas superlotadas, com acesso restrito a serviços essenciais de saúde e sem direito algum, há criminosos ilustres que conseguem rapidamente na Justiça o benefício da prisão domiciliar.

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EPOCA1Época

O batalhão da morte
Os PMs que mais matam no estado do Rio são responsáveis por área conflagrada por facções rivais, acumulam erros crassos, sofrem com sucateamento e foram alvo de denúncia de Marielle Franco.

No dia 10 de março de 2018, a vereadora Marielle Franco, do PSOL do Rio, tuitou: “O que está acontecendo agora em Acari é um absurdo! E acontece sempre! O 41º batalhão da PM é conhecido como Batalhão da Morte. CHEGA de esculachar a população! CHEGA de matarem nossos jovens!”.

Quatro dias depois de publicar a mensagem nas redes sociais, Marielle foi assassinada com quatro tiros na cabeça, em ação na qual morreu também Anderson Pedro, seu motorista. A postagem, uma de suas últimas em vida, recebeu 15 mil compartilhamentos e foi reproduzida mundo afora.

Três semanas depois do crime, o assassinato de Marielle continuava sem solução. Não havia indício algum de envolvimento dos policiais, mas ilações e boatos sobre uma suposta retaliação à vereadora tomavam conta da internet. As suspeitas ganhavam corpo pelo fato de ela ter usado a imagem de um blindado do 41º BPM, conhecido como Caveirão, entrando num beco de Acari para ilustrar o post. Originalmente, a imagem havia sido divulgada pelo coletivo Fala Akari, formado por militantes de direitos humanos da favela. É um grupo ativo contra a violência policial, nascido para fomentar eventos culturais e de ensino, como cineclubes e cursos pré-vestibular, numa área carente de serviços do estado.

A possibilidade de que milicianos — ligados ou não ao batalhão — estejam envolvidos é uma robusta linha de investigação em razão dos indícios de preparo antecipado e ação profissional nos disparos

Lula soltou o monstro do ódio
A insubordinação barulhenta do ex-presidente ao estado democrático de direito estimula seus seguidores a desprezar a Constituição.

Uma cascata colou como chiclete no debate público brasileiro nos últimos dias. Nela, o ex-presidente Lula não é um cidadão condenado por corrupção, mas uma liderança popular vítima de uma inominável injustiça - de uma caçada política travestida de processo judicial. Não há, contudo, teoria conspiratória e retórica biliosa que resista a um exame detido dos fatos do caso contra ele. Eis uma afirmação que deveria ser incontroversa, vivêssemos em tempos mais racionais: a (primeira) condenação do ex-presidente obedeceu aos princípios largamente garantistes do nosso estado democrático de direito. Respeitou-se o devido processo legal - toda a ampla gama de garantias constitucionais concedidas a qualquer cidadão acusado criminalmente pelo estado. Ao contrário da vasta maioria da população carcerária brasileira, Lula aproxima-se da prisão após um processo examinado rigorosamente por nove dos mais preparados juízes do Brasil, espalhados por três instâncias - além dos ministros da Suprema Corte.

Sua recusa em aceitar a prisão, submetendo-se serenamente à lei, transforma-o num algoz da justiça brasileira. A insubordinação barulhenta de Lula ao estado democrático de direito estimula seus seguidores - e eles são numerosos - a desprezar igualmente a Constituição, o Judiciário e até mesmo as normas de conduta civilizadas que deveriam nortear o comportamento de qualquer cidadão. E, assim, substitui-se a voz legítima de protesto pelas pedras ilegítimas de ataques. Lula soltou o monstro do ódio. Ele já deixou São Bernardo, destruindo os inimigos que encontra pelo caminho. Por enquanto, com palavras e pedras, nas redes e nas ruas. Para imortalizar-se como vítima política, Lula mostrou-se disposto, e nisso não há surpresa, a sacrificar os outros - aqueles que lutam por ele e aqueles que por ele são combatidos.

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CARTA1CartaCapital

A tragédia e o ridículo
Moro decreta a prisão de Lula após o Supremo Tribunal Federal negar-lhe liberdade, Rosa Weber vota contra sua convicção, mas a favor da corporação, e Temer afunda no Porto de Santos.

Investigação de faz de conta
O delegado chamado de ‘esquerdopata’ é afastado do inquérito que apura o ataque a tiros à caravana de Lula no Paraná rebate o governador tucano Beto Richa: “foi tentativa de homicídio’.

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